Seis mil caminhões estão na fila para Paranaguá
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quarta-feira, 26 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os caminhoneiros bloquearam ontem, pelo segundo dia consecutivo, o escoamento de soja e farelo para o Porto de Paranaguá. Desta vez, eles bloquearam o trânsito para caminhões na BR-277, na entrada para Paranaguá. Com isso, os caminhões não estão descarregando soja no pátio de triagem há quase 48 horas. São cerca de 6 mil caminhões parados na estrada, entre a entrada de Paranaguá até o fim do Contorno Sul, perto do município de Campo Largo, localizado entre Curitiba e Ponta Grossa.
O protesto, iniciado na tarde de ontem, está sendo feito em meia-pista, sendo que os ônibus, ambulâncias e automóveis tinham livre acesso ao Litoral. Os caminhões bloqueados pelo piquete ficavam parados em fila dupla. Até o início da noite, não havia solução para o impasse. Os caminhoneiros decidiram intensificar o bloqueio porque os operadores portuários se recusam reajustar o valor das diárias pagas aos caminhoneiros que ficam esperando nas filas.
O movimento atingiu somente os caminhões, principalmente aqueles que tinham acesso livre porque descarregavam em terminais privados. ''Não é justo que enquanto caminhoneiros estão parados há seis dias na fila, alguns caminhões possam passar direto para terminais privados'', disse o presidente do Sindicado dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno.
Bueno atribuiu o prolongamento do impasse à omissão da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), que não tem enviado representantes às reuniões com os operadores e nem tem se apresentado para intermediar uma solução. A assessoria da APPA informou que os operadores portuários se uniram para isentar a direção do porto de qualquer responsabilidade nas negociações.
A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) orientou suas associadas que reduzam o volume de soja que deve ser enviado ao porto. Segundo os caminhoneiros, tanto na região de Cascavel como no Paraguai, a ordem era para não enviar mais caminhões para o Porto de Paranaguá. As empresas sem contrato de embarque já estão desviando suas cargas para o porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.


