São Paulo Os agricultores brasileiros que começam a preparar a safra de verão terão uma má notícia ao buscar o seguro rural nas próximas semanas. O IRB-Brasil Resseguros afirma que será inevitável a elevação dos prêmios pagos pelos produtores para a contratação do seguro. De um porcentual médio de 5% sobre o montante assegurado para pelo menos 7%.
Não é apenas isso, o IRB fecha entre hoje e amanhã as novas regras para a comercialização do seguro a ser colocado no mercado. As normas ficarão mais restritas: redução das garantias de produtividade por hectare de 70% para 50% ou 60%, revisão dos limites empenhados para seguros em regiões com histórico de quebra da safra, além da elevação dos prêmios pagos às seguradoras.
Segundo José Farias de Souza, gerente de seguros de governo no IRB, a razão para toda a mudança está nos prejuízos que seguradoras e resseguradoras tiverem nas duas últimas safras. ''A nossa estimativa é que os produtores deram em prêmios R$ 26 milhões e receberam R$ 50 milhões devido à quebra de safra'', diz Souza.
Segundo ele, as mudanças são importantes para garantir o resseguro internacional, sem o qual o montante segurado pode cair. Em 2004, cerca de 40% do seguro agrícola avaliado em R$ 600 milhões (apenas o Banco do Brasil emprestou mais de R$ 20 bilhões) foi coberto pela Converium, um resseguradora internacional.
A previsão do IRB é que, além da Converium, haja outras resseguradoras. Se isso não ocorrer, o valor total do seguro rural já considerado ''insignificante'' pode ficar ainda menor. Justamente quando a expectativa é de aumento da procura em razão da quebra da safra 2004/2005.
O único mecanismo que pode reduzir os custos é o programa de subvenção, que finalmente pode sair do papel. Será o primeiro ano que o governo federal bancará parte do valor do prêmio para contratação do seguro.
Geraldo Mafra, coordenador-geral do seguro rural no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), disse que estão garantidos R$ 10 milhões para a subvenção. Ele garante que o valor basta para atender à demanda. A previsão é que o decreto seja assinado pelo presidente Lula até 20 de agosto. O governo afirma que o pequeno atraso não comprometerá as contratações de seguro. O IRB admite o atraso da parte do mercado.

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