Seguro por perfil oferece risco
Agência Estado
Contratar um seguro por perfil, com prêmio (preço) calculado de acordo com as características do segurado, pode ser a opção mais barata para boa parte dos consumidores, mas o risco de a indenização não ser paga nesse tipo de apólice existe.
Ao contratar apólices por perfil, o consumidor preenche um formulário em que informa seus dados pessoais e de quem mora na mesma residência, quantos motoristas dirigem o carro, onde ele é guardado, em qual região circula, etc. Com base nas respostas dadas, são definidos o risco oferecido pelo cliente e o preço. Quanto menor o risco detectado, menor o prêmio, e vice-versa.
Qualquer erro no preenchimento desse documento pode levar ao não-pagamento da indenização em caso de sinistro. Além disso, a falta de comunicação de qualquer alteração ocorrida no perfil durante a vigência do contrato também pode ser motivo para a companhia negar-se a pagar a indenização ao cliente.
O técnico da Área Financeira do Procon-SP, Marcelo Ponce, lembra que as informações contidas no formulário são de responsabilidade do consumidor. Por isso, a recomendação é que ele esclareça todas as dúvidas em relação às perguntas feitas pela companhia para só depois optar por esse tipo de seguro.
Ainda há a opção de contratar as apólices tradicionais, que não levam em conta o perfil do consumidor. A diferença de preços entre esse tipo de seguro e o de perfil é de aproximadamente 30%. Por exemplo, o valor do prêmio de um carro avaliado em R$ 13 mil é de cerca de R$ 900,00 nas apólices tradicionais. Se esse mesmo contrato for feito por perfil, o valor desse prêmio pode cair para R$ 630,00, com o desconto médio de 30%. Nesse exemplo, o consumidor deve considerar se a economia de R$ 270,00 vale a pena diante do risco eventual de não ser indenizado em caso de optar pelo seguro por perfil e ocorrer o sinistro de perda total.
Mas a oferta de apólices tradicionais deve reduzir-se progressivamente. Segundo os profissionais que trabalham na área, a tendência é que as companhias de seguro passem a comercializar apenas as apólices por perfil, que hoje já abocanham mais de 50% desse mercado.
Ponce considera que, em alguns casos, as perguntas feitas são muito restritivas, não deixando espaço para eventualidades. Embora ainda não haja nenhuma decisão judicial sobre o assunto, ele afirma que algumas dessas perguntas, que na verdade funcionam como cláusulas contratuais, podem até mesmo, futuramente, ser consideradas abusivas. Ele cita como exemplo as perguntas feitas por algumas empresas que têm o objetivo de saber exatamente quantos e quais motoristas guiam o carro e se recusam a indenizar o segurado, caso o sinistro ocorra quando o veículo estiver sendo dirigido por alguém não relacionado no formulário. O técnico do Procon considera mais razoável que seja identificado o principal motorista, deixando espaço para circunstâncias eventuais em que o automóvel precisa ser dirigido por outras pessoas.
Ele lembra que, sempre que se sentir prejudicado, o consumidor deverá recorrer às entidades de defesa do consumidor para a análise do caso. Mesmo porque esse é um produto novo no mercado e, como tal, sujeito a uma série de questionamentos.
Para o advogado e consultor de seguros Antônio Penteado Mendonça, em média, as perguntas são claras e objetivas. ‘‘Esse seguro é o mais indicado para quem é honesto.’’ As seguradoras rebatem as críticas e afirmam que, quando o sinistro ocorre em situações que deixam dúvidas, é feita uma análise detalhada do caso.

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