Arquivo FolhaQuem acumular muitos pontos por conta de infrações cometidas no trânsito deverá pagar mais caro para contratar um seguroAs companhias seguradoras podem começar a utilizar, nos próximos meses, também o histórico do segurado como motorista para calcular o valor do prêmio. Isso pode ocorrer porque, com o novo Código de Trânsito Brasileiro, que prevê a perda de pontos para quem cometer infrações, os profissionais da área consideram que ficou mais fácil identificar se o motorista oferece mais ou menos riscos para a seguradora.
Assim, quem acumular muitos pontos, por conta de infrações cometidas no trânsito, deve pagar mais caro para contratar um seguro. Em contrapartida, as companhias devem conceder descontos generosos para quem não tiver pontos acumulados ou registrar poucos pontos em seu prontuário. O diretor-comercial da Vera Cruz Seguradora, Hyung Mo Sung, comenta que, para calcular o preço final da apólice, as empresas tendem agora a levar mais em conta o perfil do segurado. Hoje, algumas delas já levam em conta o sexo e a idade do consumidor, entre outras variáveis. ‘‘O histórico do motorista entraria como mais um item nessa avaliação.’’
Mas, para que esse histórico seja incluído na avaliação, o gerente de Automóvel da Generali Seguros, Antônio Carlos Borges, diz que será preciso que as seguradoras obtenham as informações sobre o motorista diretamente do Departamento Nacional de Trânsito, para evitar fraudes.
Redução de preço Ainda é remota a possibilidade de que ocorra recuo nos preços da apólice por conta da redução de sinistros com o novo código. Segundo o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), comparando a estatística sobre sinistros de fevereiro deste ano com a do mesmo mês de 1997, o número de acidentes com vítimas fatais caiu 19% e o de atropelamentos recuou 28%, enquanto a quantidade de acidentes sem óbitos caiu 13%. ‘‘Mas essa redução ainda não é suficiente para pressionar o valor da apólice para baixo de imediato’’, diz Fernando Reinhardt, gerente de Seguros da Itaú Seguros. ‘‘Essa tendência teria de persistir por pelo menos oito meses para provocar queda no preço dos seguros.’’
Reinhardt diz que, mesmo que o número de sinistros por colisão continue encolhendo, em locais como a região metropolitana de São Paulo não devem ocorrer quedas expressivas nos preços. Nessas regiões, o roubo e o furto de veículos são responsáveis por até 60% dos sinistros pagos pelas seguradoras. ‘‘E aí o novo código não tem influência.’’

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