Seguro evita a inadimplência
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O medo de perder o emprego estimulou o mercado de seguros na modalidade proteção financeira. Para não deixar de comprar em tempos de crise, muitos consumidores ao parcelarem as compras, optam por contratar um seguro que garante a quitação total ou parcial da dívida em caso de desemprego.
Na Assurant Seguradora, a venda do produto cresceu 20% no primeiro trimestre deste ano em relação ao período passado. A empresa atende 1.500 pontos de venda para 55 varejistas em todo o País - a metade oferece o serviço aos clientes. ''O consumidor ficou mais precavido neste início de ano, mas não deixou comprar, apenas migrou para itens mais baratos e adquiriu o seguro para evitar a inadimplência'', comenta o diretor comercial da empresa, Marcelo Teixeira.
Teixeira explica que o seguro proteção financeira, nome dado ao produto quando agrega cobertura em caso de desemprego, tem regras distintas feitas em acordo pela seguradora e a empresa. ''Em média, custa 1% da prestação. Depende do valor do produto comprado e do prazo de financiamento'', calcula.
Em uma das maiores redes varejistas do País, a Ponto Frio, a venda da apólice do chamado Quitação Garantida subiu 40% em fevereiro ante os 8% em dezembro. ''A rede não se arrisca em perder o bem vendido e o cliente não é negativado nos serviços de proteção ao crédito'', comenta o superintendente da Pontocred, Élcio Gomes. O seguro é valido para as compras de até R$ 1,2 mil tanto no cartão da marca como no carnê, de quatro a 24 vezes de financiamento. O valor de R$ 32 é diluído nas parcelas. Após 60 dias de carência, o assegurado poderá desfrutar do seguro em caso de perda involuntária do emprego e ter todas as parcelas restantes quitadas.
Nas Casas Bahia, o chamado Seguro de Proteção Financeira, é válido apenas para as compras no carnê e protege o financiamento do cliente em caso de desemprego involuntário, morte ou perda de renda por afastamento temporário por acidente.
A apólice custa R$ 35,90 e garante a cobertura de até seis parcelas, no valor limite de R$ 100 cada e, em caso de morte, quita o saldo devedo até R$ 1 mil. A carência para profissionais assalariados com mais de 12 meses de registro em carteira na mesma empresa é de 31 dias, contados a partir da data da compra. Com relação à cobertura por morte, não há carência.
O seguro contra o desemprego foi a saída encontrada pelo aeronauta Rodrigo de Lara Rodrigues no momento da compra de um aparelho de som. ''Como parcelei em 14 meses fiquei receioso'' afirma. Ele pagou R$ 3 a mais por 3 meses referente ao seguro que garantia a quitação automática de quatro parcelas em caso de perda do emprego. ''Na época compensou pela segurança de ter uma período para me reerguer sem acumular dívidas, mas ainda preferi comprar à vista'', indica.
Rodrigues costuma responder três perguntas básicas para evitar as dívidas e as compras repentinas: eu preciso?, eu vou usar?, eu posso pagar?. ''Se tiver um não, eu desisto do produto'', conta. Esta mesma cartilha segue a economista Marise Euclides Faigenblum, da Secretaria Municipal do Abastecimento. A especialista ministra aulas de economia doméstica para população em geral e costuma dizer que comprar à vista é a melhor opção, mas se não for possível, é primordial avaliar a real necessidade da compra, pricipalmente por causa dos juros, que podem estar inclusos no valor do financiamento. ''Contratar o seguro é uma ferramenta de segurança, mas é preciso antes de tudo, conhecer bem todas as cláusulas e analisar as restrições para evitar suprpresas desagradáveis no momento da necessidade'', ensina.


