O mercado de seguro de pessoas movimentou R$ 12,7 bilhões no primeiro semestre deste ano, com crescimento de 20,48% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números são da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). De janeiro a junho deste ano, o Paraná teve participação de 5,7% neste montante, atrás de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo – este em primeiro lugar, com mais da metade da participação.
O seguro de viagem foi o que apresentou maior crescimento, de 68,81%. O auxílio-funeral ficou em segundo lugar (59,62%), e em seguida, o seguro prestamista (33,15%). O seguro de pessoas, segundo a FenaPrevi, envolve os seguros prestamista (proteção financeira a quem adquiriu um bem em prestações), educacional e de vida, individual e em grupo. No mesmo período estudado, foram pagos aos segurados R$ 2,9 bilhões em indenizações, valor 5,01% maior que no mesmo período do ano anterior.
Para o presidente da FenaPrevi, Osvaldo do Nascimento, o desempenho do seguro de pessoas foi "muito bom" diante do cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que foi abaixo do setor. "Isso está ligado ao crescimento da renda. Ainda estamos com nível de emprego elevado. O índice de desemprego é muito baixo. Quanto melhor o índice de emprego, mais renda para proteger o patrimônio."
Com a facilidade de compra de passagens com parcelamento, o seguro de viagem obteve o impressionante crescimento de 69%. Este tipo de seguro cobre acidentes, extravio ou perda de bagagens e despesas médicas dos viajantes no Brasil ou no exterior. As vendas, no entanto, estão mais relacionadas às viagens internacionais, mesmo para fora da Europa, onde o seguro é obrigatório, afirma Carlos Eduardo Rueff, supervisor comercial da Assist Card, empresa de cartão de assistência ao viajante de Curitiba. "Em viagens nacionais a procura é normalmente baixa pela questão de a pessoa ter plano de saúde", explica.
Segundo ele, a empresa obteve crescimento de 35% a 40% em vendas sobre os valores do ano passado, em parte por causa da repercussão do caso dos turistas que se envolveram em um acidente de balão na Turquia no último mês de maio. Em um caso como este, o seguro de viagem pode proporcionar ao turista assistência médica e repatriação sanitária em vida – retorno do turista ao seu país de origem em caso de problemas de saúde, por exemplo.
Outras coberturas que um seguro de viagem pode incluir e que poucos conhecem são as assistências odontológica e a mulheres grávidas, ambos em casos emergenciais. O seguro também pode incluir assistência jurídica, completa Rueff.
Além do crescimento sobre o valor de vendas, ele relata notar aumento do valor da cobertura solicitada pelos clientes. "Tudo tem valor alto quando se é turista." Um dia de internamento nos EUA, conforme ele, pode passar dos
US$ 10 mil. "Tivemos o caso de um senhor nos EUA que passou seis horas no hospital e gastou US$ 29 mil."
"Acredito que ainda há oportunidade de crescimento do seguro de pessoas. A penetração ainda é baixa, em torno de 4% do PIB", ressalva Nascimento. "Poderia ser de 8%." Na sua opinião, a penetração do seguro de pessoas está associada à distribuição de renda e há uma boa perspectiva levando-se em consideração o crescimento das classes C e D.

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