O mercado de seguros para automóveis vai passar por uma revolução nas próximas semanas. Uma nova geração de contratos, autorizada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) há apenas dois meses, vai permitir aos candidatos a segurados saber, na hora da assinatura do contrato, exatamente qual o tipo de cobertura que terão para seus carros nos casos de perda total. As surpresas, tão comuns até agora, deixarão de ocorrer.
O critério vai estar claramente descrito no contrato: ou a apólice garantirá ao segurado uma indenização suficiente para comprar um carro exatamente igual ao que perdeu, de acordo com o valor de mercado do veículo, ou fixará um valor determinado a ser pago pela seguradora.
‘‘Nenhuma seguradora é obrigada a aderir, mas quem não fizer isso perderá mercado. Havia muita demanda por esse tipo de contrato. A Sul América foi a primeira a ter os novos produtos aprovados, mas três outras empresas vão trazer o projeto já nesta semana’’, explica Carlos Eduardo Souza e Silva, chefe do departamento técnico da Susep.
As duas modalidades chegam para tomar o lugar do tipo de contrato tradicionalmente feito no Brasil. Nele, o valor da indenização é limitado a, no máximo, uma importância segurada estabelecida na apólice - mas acaba sendo inferior a essa importância, na maior parte dos casos, porque as seguradoras pagam de acordo com o valor de mercado do veículo e os carros quase sempre se desvalorizam.
O seguro antigo não está proibido, mas, na prática, tende a sumir das prateleiras. A Sul América simplesmente abandonou o modelo anterior, conhecido como de ‘‘importância segurada’’ e substituiu pelo chamado contrato de ‘‘reposição garantida’’. Qualquer novo contrato do Sul América Auto, a partir de agora, virá sem qualquer valor de importância segurada na apólice. A empresa garantirá ao cliente, em contrapartida, que a indenização em caso de perda total vai ser suficiente para a compra de um carro igual, mesmo que o valor de mercado do veículo tenha subido.
‘‘Nós decidimos retirar o produto antigo da prateleira porque não faz sentido continuar vendendo um produto pior’’, diz Júlio Avellar, vice-presidente de automóveis da Sul América Seguros. A Bradesco Seguros, que disputa a liderança do mercado palmo a palmo com a Sul América, já está com sua versão dos novos produtos no forno e não acredita no aumento dos preços.

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