''Sim, essa aí é a tal'', avisa o tratador de animais percebendo a curiosidade dos visitantes parados em frente à vaca Jaraguá Fiv da Comapi. Avaliada em R$ 1,24 milhão, ela já virou atração turística da 44Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Alguns fazem contas, outros nem imaginam quantos salários mínimos seriam necessários para comprar uma igual. Talvez, quem sabe, ganhando duas edições seguidas do Big Brother Brasil.
Brincadeiras à parte, é claro que quem não vai ao Parque Ney Braga a passeio e sim a trabalho já está mais do que acostumado às cifras milionárias pelas quais têm sido vendidos incontáveis animais nos últimos leilões. Nesta Expo 2004, o recorde até ontem à tarde chegou muito perto dos R$ 200 mil, com a venda de Magazine TE Terra Boa. A promessa de valores ainda mais altos pode se tornar realidade hoje, no leilão Cachoeira Fest, da família Garcia Cid.
Com tanto dinheiro investido na compra desses animais de elite, nada mais natural que se busquem todos os meios de preservá-lo. Assim como até mesmo o mais popular dos carros já sai da concessionária, nas maioria das vezes, com o seguro contratado, no setor animal os bovinos premiados também só deixam as fazendas se estiverem devidamente segurados.
Há cinco anos no mercado de seguros de animais, o veterinário paulista Joaquim Cesar Neto conhece bem o setor. Tanto que há cerca de um ano auxiliou a implantação do ramo animal da Seguradora Brasileira Rural, de capital suíço, norte-americano e brasileiro. Nesse pouco tempo, ele, que é gerente de produto, e a equipe conquistaram 35% do mercado nacional, que hoje movimenta, segundo Neto, R$ 5 milhões por ano.
''É um mercado que cresce tanto porque acompanha o crescimento do agronegócio, como também porque muitos produtores ainda não sabem que esse tipo de seguro existe'', explica Neto, em visita a Londrina. ''E é viável'', completa o veterinário Gustavo Ferreira Colombo, responsável por inspeções periódicas em animais no Paraná, São Paulo e Minas Gerais. O preço do seguro fica entre 3 a 4% do valor total do animal. ''Se comparado a um carro, que tem o seguro estipulado em cerca de 10% do total, sai barato. Até porque o animal está muito mais sujeito a ter acidentes do que um carro'', diz Neto.
Com uma cartela de clientes que seguram seus animais que custam entre R$ 50 a R$ 500 mil, a Brasileira Rural já está pensando em números maiores. No caso, fechar contratos com rebanhos inteiros. ''Considerando que o rebanho nacional tem cerca de 180 milhões de cabeças, se conseguirmos conquistar 1% disso, já será muita coisa'', planeja o gerente de produto. As pesquisas, de acordo com Neto, já foram realizadas e este tipo de seguro já pode ser inserido na Cédula do Produtor Rural (CPR).

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