Curitiba- A partir de hoje as contas de luz vão custar de 2% e 2,5% mais caras em todo País. O aumento não é um reajuste de tarifa, mas sim uma espécie de seguro contra futuros racionamentos de energia. Na conta de luz, o seguro virá como nome de ‘‘encargo de capacidade emergencial’’, cobrando o valor de meio centavo de real a cada quilowatt por hora consumido.
Apesar de a Região Sul não ter entrado no esquema de racionamento, encerrado ontem após nove meses em vigor no restante do País, os paranaenses também terão que pagar a conta. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, o Estado também está suscetível a medidas mais drásticas, em caso de estiagem prolongada na região.
‘‘O sistema elétrico é um grande condomínio, que reparte o ônus e benefícios dentro de uma concepção solidária de operações do sistema elétrico interligado em todo Brasil. Assim, quando há risco de dificuldades de abastecimento de um mercado por falta de chuvas, outra região pode transmitir energia’’, explica o diretor de marketing da Copel, Lindolfo Zimmer, também representante da empresa no Conselho Diretor da Coordenadoria Nacional de Operação do Sistema (CNOS) - órgão responsável por monitorar as demandas em todo País.
A taxa chamada de ‘‘contratação de capacidade de geração’’ foi editada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) através de resolução 071, em 7 de fevereiro. A intenção é angariar R$ 1,4 bilhão para que o governo federal possa licitar e contratar 58 usinas particulares, que ficariam à disposição do poder público até 2005, e seriam acionadas em casos de emergência. Estas usinas, 47 delas distribuídas na região Nordeste e 11 nas regiões Centro-oeste e Sudeste, têm potência de 2.153 megawatts.
A taxa será cobrada em todo País. A única exceção são os consumidores carentes, ou seja, com renda familiar até três salários mínimos, residência até 60 metros quadrados e consumo de energia até 160 quilowatts por hora (Kw/h). Caso seja necessário acionar alguma destas usinas, será cobrada taxa adicional de todos os consumidores com consumo superior a 350 kw/h.

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