O trigo não vai ter seguro agrícola na safra deste ano. O Instituto Brasileiro de Resseguro (IRB) suspendou a cobertura para os contratos referentes à safra de inverno, inviabilizando a oferta da garantia pelas companhias seguradoras.
Em carta recebida pela Companhia de Seguros de São Paulo (Cosesp), que foi enviada às corretoras nesta semana, o instituto afirma que não tem recursos para bancar a cobertura. A justificativa para a falta de dinheiro é que houve muitos sinistros relativos à cultura de soja, fato que comprometeu a programação para o inverno.
''O produtor rural vai ficar na mão'', afirmou o corretor Arnaldo Coelho do Amaral Filho, da Verde Rural Corretora de Seguros. Segundo ele, a Cosesp faz uma média de 20 mil contratos por ano, a maioria para cobertura de lavouras de inverno, que oferecem mais riscos.
''Se os produtores usam, é porque os sinistros ocorrem. Isso aumenta a necessidade de oferecer garantia para o agricultor produzir'', considerou, lembrando que o milho safrinha não tem cobertura de seguro desde o ano passado. ''Estamos frustrados, porque os clientes estão procurando o produto''.
Nelson Costa, superintendente do Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar), confirma que o setor produtivo contava com a cobertura do seguro para plantar o trigo. ''Agora, o agricultor vai depender apenas do Proagro'', disse.
Ele acrescentou que, no final do ano passado, o Congresso aprovou uma lei que permite a subvenção econômica de até 50% do prêmio do seguro. Na prática, isso significa que o governo federal poderá bancar até metade do valor do prêmio. A lei, porém, ainda não foi regulamentada. Por isso, nesta safra vai ser difícil que governo aloque recursos para cobertura de lavouras.
''A Ocepear e a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) estão empenhadas para que o governo regulamente a lei o mais rápido possível, para que o IRB volte atrás na decisão de não fazer o resseguro'', disse. Após consultar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Costa obteve a informação de que o órgão promove uma reunião, na segunda-feira, para discutir a minuta do regulamento da lei. ''É possível que a regulamentação não saia para a safra de inverno deste ano, mas vamos continuar pressionando''.
O produtor João Loureiro de Almeida, de Londrina, recebeu com pesar a notícia da suspensão do seguro para o trigo. Ele vai plantar 340 ha nesta safra e planejava se garantir através da cobertura. Em 2000, Almeida sentiu na pele os benefícios de segurar a lavoura de trigo. Por causa da estiagem e das geadas que assolaram o Paraná naquele ano, ele perdeu 100% dos 340 ha plantados. ''Recebi, sem problemas, todo o valor a que tinha direito'', contou.

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