Segurança reforçada; consumidor relutante
Mais coisas mudaram no horizonte de Nova York após os ataques de extremistas com aviões de passageiros contra as torres gêmeas do World Trade Center. Os negócios em todo o país enfrentam uma nova realidade, pelo menos no curto prazo, de consumidores relutantes e viajantes temerosos, assim como o aumento das medidas de segurança e a maior demanda por equipamentos de comunicação de alta tecnologia.
Uma das primeiras coisas que as empresas norte-americanas terão de lidar será o problema dos consumidores que ficarem escondidos. ''Eu me sinto mal, você se sente mal, todo mundo se sente mal com o que aconteceu'', diz Sun Won Sohn, economista-chefe da Wells Fargo & Co. ''Não sentiremos que estamos indo às compras, ou ao cinema ou saindo em férias.''
A queda nos já reduzidos gastos com consumo, que representa aproximadamente dois terços da economia dos Estados Unidos, deverá traduzir-se numa recessão que durará pelo menos até a virada do ano, acredita Sohn. Os perdedores serão os varejistas, as companhias aéreas, os hotéis e os restaurantes não só de Nova York, mas talvez do mundo todo. ''Acho que um elemento crítico para reconquistar a confiança do consumidor será a velocidade com a qual o governo Bush superará isto - identificar os criminosos, puni-los e fazer tudo isto sem afetar o mercado de petróleo'', analisa.
As empresas atingidas pelos ataques superarão os bilhões de dólares no cálculo dos prejuízos. Apesar de o governo já ter aprovado US$ 40 bilhões em ajuda e o Federal Reserve ter fornecido dinheiro para empréstimo ao sistema bancário, levará meses para que a maioria deles se recupere.
John Majors, um parceiro da Ernst & Young especializado em seguros, informou que muitas companhias já estão buscando ajuda com pedidos de indenização, desde danos à propriedade à compensação de funcionários e à cobertura por interrupção dos negócios.
Algumas empresas fecharam quase todas as portas, não deixando nada além da entrada principal disponível, contrataram mais seguranças e fazem checagens de documentos mais rígidas, comentou Majors. Isso está acontecendo em prédios corporativos, agências bancárias e até em centros comerciais. ''Claramente, a segurança aumentou. Isto é importante para acalmar as pessoas'', acredita. ''Minha opinião é a de que temos de ser cuidadosos agora, mas acredito que muitas medidas de segurança reforçada serão permanentes.''
Majors diz que os funcionários da Ernst & Young vêm fazendo mais videoconferências e resolvendo mais coisas por telefone com clientes em outras cidades. ''É uma reação à imprevisibilidade e à incerteza sobre quando sairão os vôos'', comenta Majors. ''Assim que as companhias aéreas se recuperarem e o mundo dos negócios - a vida em geral - ficar mais previsível, as coisas provavelmente melhorarão um pouco.''
Kathryn Harrigan, professora de liderança empresarial da Universidade de Colúmbia, diz que os ataques contra Nova York ensinaram mais lições sobre logística. ''Algumas empresas mantinham quase tudo o que possuíam dentro do World Trade Center e perderam tudo'', observou.





