Nova York – Fórum de Davos, o encontro reúne reis, presidentes, executivos... e manifestantes. Vigiado por 5.000 policiais, o Fórum de Davos começou ontem em Nova York, onde 3.000 líderes do planeta, incluindo presidentes, reis e grandes executivos, começaram a debater a construção de um mundo mais seguro depois dos ataques de 11 de setembro.
‘‘Esta é uma reunião que pode fazer história’’, afirmou Charles McLean, um dos diretores do Fórum Econômico Mundial, na coletiva de imprensa de abertura, da qual participaram o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, e o brasileiro Roberto Civita, presidente do Grupo Abril.
Esta é a primeira vez desde a criação do Fórum, em 1971, que os ricos e poderosos do planeta não se encontram em Davos, uma estação de esqui exclusiva na Suíça, e sim no hotel Waldorf Astoria, no centro de Manhattan.
O Waldorf Astoria, um dos hotéis mais luxosos de Nova York, com 1.500 quartos, amanheceu esta quinta-feira transformado em uma fortaleza impenetrável, com milhares de policiais e agentes de segurança vigiando as ruas próximas, e franco-atiradores nos tetos dos edifícios vizinhos.
Em outros pontos da cidade, a polícia nova-iorquina - a mais importante do país, com 40.000 agentes - mobilizou centenas de oficiais em frente a lojas e bancos multinacionais, como forma de prevenção a atos de violência como os que ocorreram em outras reuniões econômicas internacionais.
Milhares de ativistas antiglobalização estão em Nova York para participar, ao longo dos cinco dias do Fórum, de passeatas e manifestações, que garantem serão ‘‘pacíficas’’ e ‘‘festivas’’.
Porém, esta quinta-feira a polícia só concedeu poucas quadras em Park Avenue, perto do Waldorf, às organizações que desejam protestar contra uma reunião que, consideram, só responde aos interesses dos países ricos e das grandes corporações.
‘‘Nós estamos acordando de um sonho, o de que o colapso da União Soviética significou que as relações internacionais foram suplantadas pelas relações comerciais’’, disse George Friedman, presidente da Stratfor, uma das maiores consultorias privadas do mundo de inteligência e assuntos geopolíticos.
Friedman foi um dos participantes do debate sobre segurança global que, junto com a discussão sobre a recuperação econômica, abriu os trabalhos do Fórum Econômico Mundial em Nova York.
Aquele tipo de ilusão, continuou Friedman, é típica de períodos que seguem ao fim de conflitos de escala global, ou que envolvam as maiores potências. Processos parecidos aconteceram depois do Congresso de Viena, que encerrou a fase das guerras napoleônicas no século 19, e depois das Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

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