Entre as irregularidades no processo de intervenção no antigo banco Bamerindus que devem entrar na mira dos técnicos do Banco Central está a transferência para o HSBC da Seguradora Bamerindus – na época, a terceira maior do País – por seu valor patrimonial, e não de mercado. Segundo José Eduardo de Andrade Vieira, a operação ‘‘absolutamente irregular’’ foi um claro favorecimento ao grupo inglês e deu grande prejuízo ao Tesouro Nacional, já que a seguradora foi repassada aos novos donos por aproximadamente US$ 300 milhões. ‘‘O mercado sabe que não poderia valer menos de US$ 600 milhões’’, diz Vieira.
O grupo inglês que assumiu a ‘‘parte saudável’’ do antigo Bamerindus também teria recebido recursos para indenizar funcionários que seriam dispensados. ‘‘Para esta e outras finalidades, foi repassado ao HSBC cerca de US$ 1 bilhão’’, afirma Vieira. No entanto, os novos donos do banco não fizeram todas as demissões previstas, sem gastar, portanto, a totalidade dos recursos que receberam.
‘‘Por que o interventor não fez, como era de sua competência, as demissões e os pagamentos das indenizações, em vez de repassar os recursos para os ingleses?’’, pergunta o antigo dono do banco. ‘‘A verdade é que os interventores deram um prejuízo muito maior aos brasileiros do que todos os diretores juntos do Bamerindus que tenham cometido erros’’, afirma. (R.M.)

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