Curitiba - A indústria está demorando para repassar para os preços dos produtos a queda nos preços do câmbio e das cotações internacionais. O Dieese fez um levantamento do comportamento dos preços dos produtos, no período janeiro a abril deste ano, e não encontrou sinais de queda. Segundo o economista Cid Cordeiro, a indústria está revertendo parte da alta verificada no segundo semestre do ano passado, na ampliação da margem de lucro.
  De acordo com o Dieese, principalmente os preços dos produtos agrícolas, que enfrentam maior impacto com a redução do câmbio, são os que mais estão resistindo.
  A cotação internacional do café aumentou 11%, mas o dólar caiu 14%. Nesse caso, o repasse para o produto deveria ser de uma queda de 5%. Mas o que houve foi uma alta.
  A cotação internacional do óleo de soja subiu 3% no período analisado. Mas com a queda do dólar de 14%, deveria ter sido repassada uma queda de 11,5% no preço do produto. Mas a redução foi de apenas 0,8%.
  Já a farinha de trigo apresentou uma queda de 10% na cotação internacional. Combinando com a queda de 14% do câmbio, a redução no preço do produto deveria ser de 23%. Mas a queda foi de 8,5%. E o açúcar enfrentou uma queda de 5% na cotação internacional, nos primeiros quatro meses do ano. Com a queda do dólar, o repasse para o preço do produto deveria ser de uma redução de 18%. Mas o preço do açúcar subiu 3%.

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