Rio - O crescimento industrial em 2005 ainda deve ser forte em São Paulo, mas deverá ser menos concentrado regionalmente. A análise é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que leva em conta que o dinamismo da massa salarial esperado para este ano vai estimular a produção de segmentos de bens semiduráveis e não-duráveis, expressivos na indústria paulista, mas também mais espalhados pelo País.
Neste grupo estão itens como alimentos, bebidas, têxteis, medicamentos, utensílios domésticos, dentre outros. De forma geral, a expansão da indústria foi menos focada no avanço do rendimento do trabalho em 2004, mas diretamente ligada à expansão do crédito e juros relativamente abaixo de 2003, diz o diretor executivo do Iedi, Júlio Sergio Gomes de Almeida. Este é dos motivos dos expressivos avanços de determinados segmentos industriais.
Na indústria paulista, alguns dos maiores destaques foram de material eletrônico (crescimento de 43,1%), máquinas para escritórios e de informática (31,8%) e veículos automotores (25,6%). Esta foi a variação média mensal dos subsetores durante os 15 meses em que a produção paulista vem crescendo sucessivamente, de novembro de 2003 a janeiro de 2005, comparado aos mesmos meses do ano anterior. Conforme levantamento do IBGE, o avanço médio mensal da indústria paulista foi de 10,5%.
Gomes de Almeida diagnostica que, na prática, a indústria de São Paulo foi criada num modelo de substituição de importações, ''modelo voltado para dentro'', o que a fez demorar a apostar nas exportações. ''Desde 2003, vemos um processo forte de internacionalização'', comenta.
Depois do reforço das exportações, a recuperação da demanda interna ano passado favoreceu a produção industrial no País. Para 2005, a projeção de crescimento da produção física da indústria do País, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é de 4,6%, ritmo abaixo do verificado no ano passado, quando a indústria brasileira cresceu 8,3%.
O professor e integrante do Grupo de Indústria do Instituto de Economia (IE) da UFRJ Carlos Frederico Rocha explica que a indústria de São Paulo perdeu espaço relativo, principalmente na década passada, por causa da relocalização de plantas fabris para outros Estados. A abertura comercial e a mudança estrutural do setor levou à busca de custos mais baixos, como de mão-de-obra. Ele cita também que a guerra fiscal entre Estados ajudou no processo, causando mudanças dos locais de instalação de novas montadoras. ''De qualquer maneira seria normal que regiões mais desenvolvidas perdessem atividades'', comenta Rocha.

mockup