Segunda safra de feijão deve quebrar em 9%
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terça-feira, 04 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A segunda safra de feijão do Paraná, ou safra da seca, vai quebrar em 9% com relação à estimativa inicial. A causa do prejuízo é a estiagem que assolou algumas regiões produtoras nos primeiros meses do ano. Informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) indicam que o Estado vai colher 170 mil toneladas, um volume 13% menor que as 196 mil toneladas obtidas no ano passado. A área de plantio reduziu 6%, com ocupação de 124,6 mil ha em 2004. Trinta e nove por cento das lavouras já foram colhidas.
Agricultores paranaenses também finalizam o plantio da terceira safra anual de feijão, chamada de safra de inverno. A estimativa é que o Paraná produza 14,8 mil toneladas, ante as 21 mil toneladas obtidas no ano passado. A redução é de 33%. A área diminuiu 11%, com cultivo de 20,6 mil ha.
A redução na produtividade se explica pela estiagem, que pode ter afetado algumas lavouras na época de germinação. Além disso, segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, o excelente clima do ano passado permitiu rendimento maior que a expectativa dos produtores. ''Por isso a grande diferença entre a produtividade das safras dos dois anos'', explicou.
Na primeira safra, também chamada de safra das águas, o Estado cultivou 366,3 mil ha que renderam 480 mil toneladas. Houve quebra de 4,5% com relação à estimativa inicial. Também neste caso, o prejuízo decorre da estiagem que atingiu algumas regiões produtoras.
Apesar da quebra nas duas primeiras safras do Paraná (maior produtor brasileiro), houve queda no preço do feijão no início desta semana. Segundo o corretor Danilo Rend, da Correpar, em Curitiba, a causa da desvalorização é o excesso de feijão comercial (de pior qualidade) no mercado.
''A mercadoria ruim acaba puxando o preço do feijão extra (de melhor cor e aspecto)'', justificou. O produto comercial está disponível em maior quantidade que o normal porque os problemas climáticos interferiram na qualidade da mercadoria obtida em diversos estados brasileiros. Ontem, o feijão extra fechou cotado a R$ 85,00 por saca, contra R$ 80,00 praticados na semana passada.
O agricultor Ezio Fiori, de Umuarama, afirmou que a cotação atual não cobre o custo de produção da cultura. Ele cultivou 484 ha na segunda safra e espera obter 16,5 sacas por ha. ''A produtividade não será alta. Como a cultura tem risco de geada, ná dá para investir em tecnologia'', disse.
Apesar dos preços baixos, ele aumentou a área em 25% nesta safra. A esperança do produtor é que a cotação melhore no segundo semestre. ''Quando o preço está ruim, a área diminui, a oferta reduz e o preço sobe. Por isso plantei mais feijão nesta safra'', explicou.


