Um dos setores mais afetados no Brasil em função dos produtos chineses é o têxtil. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) apontam para um déficit de US$ 3,5 bilhões em 2010. Uma queda imensa se comparado ao ano de 2005, quando o País apresentou um superávit de US$ 500 milhões. ''Houve uma inversão de US$ 4 bi que entraram a mais no Brasil do que conseguimos vender. De acordo com o Dieese, esse valor seria o custo para a criação de 127 mil empregos no setor'', analisa o conselheiro da entidade, Rainer Zielasko, que também é presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap).
De acordo com ele, o Paraná segue a mesma tendência de saldo negativo. ''Em 2009, tínhamos um saldo negativo de US$ 10,6 mi. Em 2010, foi de US$ 8,2 mi. Este ano, porém, já estamos em US$ 22,1 mi. Os números são extremamente preocupantes e reforçam que os produtos asiáticos continuarão entrando com força total.'' Além das importações, o conselheiro alerta para a entrada ilegal de produtos via Paraguai.
Marcos Koslovski, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar), é enfático ao dizer que as perspectivas são as piores se o Brasil continuar concorrendo com os preços praticados pelos chineses. As roupas chinesas chegam até 60% mais baratas no Brasil. ''Não temos como competir com o preço. A carga tributária e a falta de barreira do nosso País são entraves que nos afetam diretamente. Nos resta continuar a investir em design para termos algum diferencial'', pontua ele. (M.T.)

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