Segmento de vestuário cresce 10%
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) constatou um crescimento de 10% nas vendas do ano passado, quando o faturamento do setor alcançou a receita de US$ 2,1 bilhões. No ano anterior, em 2003, o setor faturou US$ 1,9 bilhão. De acordo com a ABIT, o setor vive um bom momento, com o crescimento das vendas no mercado interno e também com as exportações.
No Paraná, esse crescimento está refletindo na distante Terra Roxa (132 km a oeste de Cascavel), onde existe um forte núcleo de indústrias especializadas em moda bebê (0 a 1 ano). O município, que fica na divisa do Estado com Mato Grosso do Sul e Paraguai concentra cerca de 40 empresas que abastecem lojas de moda bebê em todo o País.
De acordo com Jaime Tezza, consultor do Sebrae em Terra Roxa, as encomendas aumentaram no ano passado e este ano, as indústrias estão trabalhando com plena capacidade desde o início de janeiro, na confecção de roupas de inverno. As empresas já estão com toda a produção comprometida até o mês de abril, disse o consultor.
Tezza atribuiu a reação nas vendas das indústrias de Terra Roxa, aos investimentos feitos pelos empresários que se organizaram num Arranjo Produtivo Local (APL), onde investiram em treinamento de mão-de-obra, de gestão e ampliaram a participação em feiras. Além disso, os empresários também investiram em tecnologia para melhorar a qualidade da produção. ''Os resultados estão sendo colhidos agora'', ressaltou.
Na ponta do varejo, a procura por moda bebê e infantil no ano passado também surpreendeu. A gerente da loja Xiquitas, de Curitiba, Josefa Cordeiro Bezerra, disse que as famílias de renda mais baixa retornaram às lojas, após um longo período de afastamento. Josefa destacou ainda um crescimento expressivo no aumento das vendas à crédito, mecanismo utilizado pelas famílias de menor poder aquisitivo para fazer suas compras. ''As famílias mostraram mais confiança nos empregos e no aumento de salário'', afirmou.
Segundo Josefa, sempre que há uma reação no emprego e nos salários, o setor de moda infantil responde mais rapidamente do que a moda adulta porque as crianças crescem rápido e precisam de roupa. ''O adulto ainda reforma a roupa, mas o bebê e a criança não têm como não renovar'', salientou.
De acordo com Humberto Rebonato, coordenador da Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil Bebê, que aconteceu no mês passado, em São Paulo, o crescimento desse segmento se deve à maturidade das empresas que estão investindo em maquinários, tecnologia e conhecimento, para que esta expansão seja ainda mais significativa em 2005. Segundo ele, em 2004, as indústrias de moda infantil foram responsáveis por 15% de tudo o que foi produzido na cadeia têxtil, com a fabricação de 900 milhões de peças.


