Sede do Sindicato dos Operadores é depredada
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domingo, 21 de março de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O terceiro dia de paralisação do Porto de Paranaguá foi marcado pelo clima tenso entre os operadores portuários, os trabalhadores e a diretoria do porto. O motivo foi a depredação da sede do Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop) na noite de sábado. O Sindop é uma das principais entidades que organiza a paralisação que inicou na sexta com o intuito de derrubar a diretoria da Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), encabeçada por Eduardo Requião. Os prejuízos estimados com a paralisação até agora são de US$ 50 milhões.
De acordo com a polícia, a depredação foi causada por um grupo de trabalhadores que são contra a paralisação. A sede do Sindop chegou a ser incendidada, mas os bombeiros conseguiram conter o incêndio a tempo. Integrantes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) foram deslocados para o local para conter o tumulto.
A depredação do sindicato patronal demonstra um racha na paralisação do porto, que até ontem era anunciada como uma manifestação conjunta de trabalhadores e patrões. Para o superintendente da Appa, Eduardo Requião, a manifestação de oito sindicatos representantes das categorais que trabalham no Porto a favor da paralisação não significa que a massa de trabalhadores esteja a favor do movimento. ''Quando vi políticos locais e sindicalistas discursando no mesmo caminhão, percebi que estava no caminho certo'', afirmou Eduardo.
O superintendente da Appa creditou a paralisação à pressão dos patrões e ao fato de estarmos em ano de eleições para a prefeitura. Na contabilidade da Appa, pelo menos cinco pré-candidatos a prefeito e vereador encabeçam as entidades que deflagraram a paralisação.
Eduardo classifica a paralisação como um boicote dos operadores portuários, que estariam insatisfeitos com a proibição de exportação da soja transgênica e o ofício da direção da Appa que proibiu a entrada de caminhões no porto que não tivessem sua carga já predeterminada para o embarque em um navio. A Appa afirma que a determinação que visava a redução das filas no pátio do porto e na BR 277 desagradou os operadores portuários, que aproveitavam a fila dos caminhões para armazenar a soja sem pagar pela utilização dos silos do porto.
A Folha tentou contato com a diretoria do Sindop para repercutir as acusações de Eduardo, mas não obteve retorno. Em nota oficial divulgada à imprensa assinada pelo Sindop e por sindicatos, cooperativa e pelos poderes Executivo e Legislativo de Paranaguá, os grevistas afirmam que a paralisação não tem nada a ver com transgênicos, e sim com a incapacidade administrativa da diretoria da Appa, que compromete o funcionamento do porto.


