As sedas artesanais produzidas pelo Casulo Feliz, de Maringá (Noroeste do Estado), estão cada vez mais nas passarelas do cenário fashion nacional. Depois de encantar o estilista Mário Queiroz, as sedas caíram no gosto da carioca Isabela Capeto e do paulista Alexandre Herchcovitch que usaram a produção maringaense nas suas coleções, lançadas no São Paulo Fashion Week (leia matéria na Folha 2). Há 17 anos no mercado, o Casulo Feliz comercializa os fios e a seda em praticamente todos os estados brasileiros e ainda exporta para Argentina, Suécia, Portugal, Espanha e Bélgica.
Com faturamento anual de R$ 1 milhão, o Casulo Feliz é a única empresa no Brasil e, possivelmente da América Latina, a trabalhar com a fiação artesanal. Localizado em Santa Felicidade, bairro de baixa renda, a empresa emprega cerca de 120 funcionários daquelas imediações, que trabalham também com tingimento vegetal (uso de cascas e folhas), tecelagem manual e industrial. ''Todo nosso trabalho é manual. Fazemos o artesanato de luxo, conseguindo transformar as tramas milenares em tecidos sofisticados'', explica a designer Glicínia Setenareski, filha do proprietário do empreendimento, Gustavo Augusto Sarpa Rocha.
Na passarela da carioca Isabela Capeto, o toque paranaense veio dos detalhes. Os bordados dos vestidos foram feitos com os fios de seda do Casulo Feliz. Produtora de uma seda mais rústica, a empresa maringaense já havia aparecido no desfile feminino de Alexandre Herchcovitch. Todos os xales que aparecem na coleção dele foram confeccionados no Casulo. No domingo, a seda volta a aparecer no desfile de Mário Queiroz, que utiliza o tecido na coleção masculina do próximo inverno. No ano passado, Queiroz lançou 70% de sua coleção em seda artesanal.
Para Glicínia, a seda é o tecido que tem mais valor agregado milernamente. ''Hoje, a seda é utilizada na moda masculina, enfim em todos os estilos. Temos peças de vanguarda, retrô, rústicas e high tech'', informa a designer, acrescentando que o carro-chefe da loja são os produtos para decoração. São confeccionados almofadas, tapetes, mantas, jogos americanos entre outros. Apesar de ser um trabalho totalmente artesanal, Glicínia comenta que as peças têm preços que agradam o público. ''No que diz respeito a seda rústica e artesanal, cobramos os valores mais baixo no Brasil, mas não chegam a ser preços populares'', salienta. Um xale, por exemplo, pode custar entre R$ 120 a R$ 220.
Ao implantar a empresa, a intenção inicial dos proprietários era viabilizar o uso artesanal dos casulos do bicho-da-seda no Brasil. ''Casulos com pequenas imperfeições, muitas vezes rejeitados pela indústria tradicional, possibilitaram a criação de um produto de qualidade exuberante, resistência e beleza sem par, que, até então, permanecia encantado'', destaca Glicínia. Para complemento dessas fibras naturais, todos tingimentos são feitos a partir de pigmentos de origem vegetal, como a casca de cebola, a raiz do curcuma, as folhas de manga e as sementes de urucum.

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