A securitização das dívidas, que inicialmente poderia solucionar dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais para quitar empréstimos, tornou-se ‘‘um pesadelo ’’, porque as dívidas aumentam ‘‘de forma absurda’’. A avaliação é de José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques (78 quilômetros ao sul de Cascavel, presidente da Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios), que realizará encontro hoje para discutir a situação.
José Lino Bergamin faz crítica direta ao procedimento do Banestado, que ao calcular os valores para o novo parcelamento das dívidas, permitido pela securitização, ‘‘utilizou uma fórmula que lesa os devedores’’. Ele explica que no ato do cálculo o banco converteu o total de produto devido pelo valor médio de mercado dos últimos quinze dias com preço no pico e reconverteu em produto ao preço mínimo estabelecido pelo governo federal.
O procedimento elevou as dívidas em variante entre 35% e 56%, ‘‘inviabilizando totalmente o pagamento por parte dos produtores’’, frisa Bergamin. Ele observa que o encontro em Capitão Leônidas Marques, em uma região de pequenos agricultores, ocorre no momento em que o governo analisa projeto de lei que prevê o alongamento da securitização das dívidas rurais para vinte anos.
O projeto foi entregue recentemente por deputados federais ao ministro da Agricultura, Arlindo Porto, para avaliação. Em 94, havia sido apresentada uma emenda à lei que estabelecia o pagamento das dívidas com base na equivalência produto, e também recálculos, porque durante o governo Collor ocorreu grande disparidade entre dívidas e produtos, mas as alterações propostas acabaram vetadas pelo presidente Itamar Franco.
Segundo José Lino Bergamin, ‘‘a esperança’’ dos produtores é que o governo aprove o projeto, ‘‘uma vez que o setor agropecuário foi quem lastreou o Plano Real e já está mais que na hora do governo dar respostas aos reclames do setor produtivo primário’’. Para o deputado estadual Nereu Moura (PMDB), que participará do encontro de hoje, ao lado de outros deputados e prefeitos, toda a situação, ‘‘e os cálculos malucos’’ da securitização, têm base ‘‘na política agrícola bisonha praticada’’.

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