A securitização das dívidas junto aos bancos e o financiamento de cotas-parte no valor de R$ 150 milhões garantiram às cooperativas paranaenses um novo fôlego em 1996. Somado a isso, a desoneração do imposto de exportação de produtos agrícolas e semi-industrializados contribuíram para aliviar as dificuldades do setor durante o ano passado e devem determinar uma expansão das atividades em 97.
A análise é da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). De acordo com a entidade, há ainda problemas a serem superados como a diferença entre a margem de lucro dos agricultores e os juros praticados pelo mercado financeiro e também a concorrência com os produtos importados.
‘‘A falta de proteção à produção interna, as altas taxas de juros e os prazos curtos nos financiamentos são os principais entraves para a nossa competitividade’’, afirma o presidente da Ocepar, engenheiro agrônomo João Paulo Koslovski. Segundo ele, é preciso também que o Estado promova uma efetiva reforma fiscal, tributária e previdenciária e garanta infra-estrutura básica como forma de permitir ao País condições de igualdade na competição com outros mercados.
Koslovski informa que o trigo e o algodão são os maiores exemplos da frágil política agrícola brasileira. ‘‘Estes dois produtos, cujas produções poderiam atender as nossas necessidades, respondem com evasão de divisas com importações de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, o que representa 30% do déficit da balança comercial brasileira’’, destaca o presidente da Ocepar.
Ele lembra que o Paraná plantava 705 mil hectares de algodão em 1991 e hoje planta apenas 10% desta área. Além disso, a lavoura de trigo que já foi quase sufiuciente para abastecer totalmente o mercado nacional hoje responde por apenas 30% do nosso consumo. Anualmente, o Brasil se vê obrigado a importar cerca de 6 milhões de toneladas de trigo, enquanto a produção nacional dificilmente supera a casa das 3 milhões de toneladas.
Banco cooperativo Para 97, a principal notícia do setor cooperativista é a oficialização do banco próprio. No mês passado, foi oficializada a fusão das cooperativas de crédito do Paraná ao Bansicred, o banco das cooperativas do Rio Grande do Sul. A previsão é que em maio as agências do banco comecem a operar também no Paraná. A expectativa da Ocepar é que com a oficialização do banco próprio o setor ganhe em desenvolvimento já que terá agora uma importante alternativa de financiamento.
O plano estratégico é outra novidade para este ano. A Ocepar acaba de lançar o ‘‘Plano Paraná Cooperativo 2000’’, que prevê a atuação das empresas com base nas suas relações com os cooperados, com o mercado e sua própria eficiência econômica e financeira.
Dentro deste plano estratégico, para auxiliar as cooperativas a buscarem maior eficiência e superarem problemas, a Ocepar dispõe de dois programas: o SAC - Sistema de Acompanhamento de Cooperativas e o SAP - Sistema de Acompanhamento de Propriedades. Os programas permitem acompanhar o desempenho empresarial das cooperativas e a performance das propriedades, dando indicações de mudanças necessárias para melhorar a atuação e o posicionamento no mercado.

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