Secretários estaduais de agricultura reclamaram ontem do corte no orçamento do Ministério da Agricultura e do Abastecimento para o ano que vem, em especial a redução de R$ 55 milhões prevista para a área de defesa agropecuária que coordena programas como o de combate à febre aftosa. O secretário-adjunto de agricultura de São Paulo, Antônio Carlos de Macedo, afirmou que os recursos para o combate ao cancro cítrico e a febre aftosa são considerados mais importantes para o governo do seu Estado que qualquer outro programa do Ministério.
Nos últimos anos o governo e a iniciativa privada investiram R$ 1,2 bilhão no combate à febre aftosa, num intenso trabalho que já resultou no reconhecimento dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como áreas livres da doença. Os Estados do chamado circuito Centro-Oeste estão iniciando o processo para esse mesmo reconhecimento junto à Organização Internacional de Epizootias e os secretários manifestaram a preocupação de que os cortes no orçamento atinjam o programa.
‘‘O surgimento de um pequeno foco de aftosa será suficiente para acarretar a imediata suspensão das exportações e, mais uma vez, desacreditar o País aqui e no exterior’’, disse o secretário do Distrito Federal, João Luiz Homem de Carvalho. Ele lembrou que a pecuária brasileira é responsável pela geração de 7,2 milhões de empregos diretos na cadeia produtiva, e exporta 289 mil toneladas de carne, o equivalente a R$ 480 milhões por ano.
Do total de R$ 187,3 milhões cortados do orçamento do Ministério da Agricultura, R$ 55 milhões atingiram a área de defesa agropecuária. O ministro Francisco Turra prometeu lutar para garantir os recursos do combate à febre aftosa, considerando inclusive a possibilidade de obtenção de recursos externos. ‘‘Vamos buscar recursos, pois a manutenção do programa de combate à febre aftosa é uma questão de honra’’, afirmou. Os recursos cortados seriam repassados em parte aos Estados para campanhas de vacinação e modernização da infra-estrutura do setor.
O secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, informou que foi criada uma comissão no Ministério para definir as prioridades e remanejar recursos, numa tentativa de manter vários programas importantes de defesa. As maiores preocupações, segundo ele, são com as campanhas de combate a doenças e pragas, com as exportações e com a saúde pública, pois a defesa é responsável pela inspeção e fiscalização dos alimentos consumidos no País.

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