Secretários estaduais de agricultura reunidos ontem no Ministério da Agricultura, em Brasília, decidiram propor um pacto às indústrias de insumos básicos usados na agropecuária, que foram reajustados entre 40% e 70% após a desvalorização cambial. Para o presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura, Haroldo Vasconcelos, o pior é que, além dos aumentos ‘‘injustificados’’, os produtos estão desaparecendo do comércio. ‘‘É uma especulação total e, se não conseguirmos um acordo, o governo terá de intervir.’
A reunião com as entidades representativas das indústrias de insumos deverá ocorrer em Londrina, no dia 7 de abril, no próximo Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura. A proposta de trazer o evento para a cidade foi apresentada pelo secretário da Agricultura, Antônio Leonel Poloni. Ele apresentou a proposta, acatando um pedido do presidente da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetc), jornalista João Milanez. O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Roberto Rodrigues, o ministro da Agricultura, Francisco Turra e dirigentes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também deverão participar da reunião.
Para Vasconcelos, se não for possível um grande pacto pelo fortalecimento do agronegócio, o País poderá ter problemas na próxima safra e no programa de erradicação da febre aftosa. ‘‘A época da vacinação ainda não chegou e os preços já subiram até 70% em alguns Estados’’, disse.
O presidente da Abag, Roberto Rodrigues, disse que os ganhos que deverão ocorrer este ano com a desvalorização cambial poderão ser anulados no ano que vem com a alta dos custos de produção. Segundo ele, os aumentos de custos na produção de algodão e milho na próxima safra já são estimados em 12% a 13%.
Os secretários de agricultura decidiram se mobilizar pela recomposição dos recursos orçamentários destinados à defesa agropecuária, reduzidos de R$ 150 milhões para R$ 40 milhões. O presidente do Fórum disse que os secretários terão encontros com o vice-presidente Marco Maciel, o ministro Turra, e parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para tentar conseguir mais recursos. ‘‘Os R$ 40 milhões aprovados são para o ministério manter a fiscalização e os laboratórios e não há dinheiro para os Estados executarem os programas de defesa animal e vegetal’’, disse Vasconcelos.

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