Rio de Janeiro - O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, considerou ''inviável'' a proposta de utilizar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo nas contas da Petrobras. ''A Cide é uma medida para ser aplicada quando o preço do óleo cai'', disse Tolmasquim. O mecanismo da Cide é previsto em lei e consiste na criação de um fundo para amortecer os efeitos da alta do petróleo no mercado externo.
Na semana passada, especialistas e executivos do setor pediram que o governo usasse a Cide para evitar um repasse da disparada do preço do barril do petróleo para o mercado interno. Segundo a proposta, o governo abriria mão de parte da arrecadação, reduzindo a alíquota do imposto. Assim, um possível aumento dos preços nas refinarias seria anulado, sem impacto no bolso do consumidor.
Tolmasquim disse que ainda é cedo para decidir sobre um repasse da alta internacional aos preços domésticos. Para isso, seria necessário, na sua opinião, um acompanhamento de mais longo prazo que permitisse saber se os preços se manteriam altos ou se voltariam ao nível anterior. ''Se não corremos o risco de contaminar toda a economia, com uma elevação da inflação'', disse.
A mesma opinião foi dada pelo diretor-financeiro da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Ele disse que a empresa ainda não sabe se a crise atual configura uma tendência ou se trata de movimento especulativo. ''Esta alta tem apenas duas semanas'', justificou.
Em Ouro Preto (MG), a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, fez coro e afirmou que o governo ainda avalia o cenário internacional para decidir o que fazer. ''Quando tivermos uma posição, nós divulgaremos'', disse a ministra.
O diretor da Petrobras explicou que os efeitos da crise sobre a empresa dependem dos estoques formados com petróleo mais barato. A Petrobras tem estoques com duração entre dois e três meses. Grande parte desta reserva foi comprada a preços menores e, por isso, a alta do barril do petróleo ainda teria pouco impacto sobre as contas da estatal.

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