O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, disse que os setores público e privado e a população precisam se unir para exigir que os Estados Unidos mudem drasticamente a sua política agrícola no âmbito da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Camargo Neto citou como exemplo o recente episódio da doença da ‘‘vaca louca’’, que de alguma forma contribuiu para que o governo canadense voltasse atrás nas restrições impostas contra a carne brasileira. ‘‘Ou temos uma união nacional ou não vamos avançar nesta luta contra a política agrícola norte-americana’’, disse o secretário em entrevista exclusiva à Agência Estado.
De acordo com ele, o embate no âmbito da Alca será complicado e muito difícil, principalmente nos temas relativos à questão agrícola. ‘‘Se não houver apoio popular e união de todos setores do agribusiness, para os pontos que queremos mudar, não teremos sucesso’’, advertiu. Os pontos aos quais Camargo Neto se refere são a alteração drástica na política de subsídios agrícolas e eliminação das barreiras não-tarifárias que impedem o ingresso de produtos agrícolas brasileiros no mercado norte-americano.
Camargo Neto criticou duramente a proposta dos setores privados canadense e norte-americano, de transferir estes temas para o âmbito das discussões na Organização Mundial de Comércio. ‘‘Na OMC o tema agrícola está avançando muito lentamente, o que não é de nosso interesse. O que podemos fazer é levar a questão agrícolas à OMC via avanços significativos na Alca’’, disse.
Para ele, a Alca passou a ser neste momento um caminho estratégico neste sentido, já que possibilita colocar em xeque toda política agrícola norte-americana. ‘‘Por isso, precisamos que este tema avance no âmbito da Alca. Se isso realmente ocorrer, acredito que a União Européia se sentiria também presssionada’’, afirmou.

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