Secretário nega fraude em material
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sábado, 19 de novembro de 2005
Agência Estado 
Brasília - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, refutou ontem a possibilidade de o governo do Paraná ter fraudado as amostras coletadas em seu rebanho na investigação da existência de aftosa em quatro municípios do Estado. ''Não vejo a menor possibilidade (de fraude)'', disse. ''Não tenho nada de concreto para fazer uma afirmação como essa.'' Ele admitiu, no entanto, que técnicos do ministério não participaram das coletas iniciais enviadas para análise laboratorial. O secretário acrescentou, ainda, que mantém a orientação de continuar investigando a suspeita de focos de aftosa no Paraná. ''Queremos ter um resultado final com condições de ser auditado'', comentou Maciel.
O secretário Maciel explicou que a primeira coleta das amostras foi feita apenas por técnicos do governo do Paraná. Posteriormente, porém, veterinários do Rio Grande do Sul foram deslocados para o Paraná para acompanhar os procedimentos técnicos nas fazendas onde há suspeita da doença. Esses procedimentos incluíram novas coletas de material.
O Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), de Belém do Pará, que atestou a sanidade do gado do Paraná, também descartou a hipótese de fraude na coleta do material examinado. Segundo o chefe de Virologia do laboratório, Antonio Julio Delgado, se o material fosse de animais sadios, em vez de doentes, já teriam surgido vários focos de aftosa nas regiões isoladas no Estado.
Para o Lanagro, a rapidez com que a doença se propaga é a evidência de que o Paraná está livre de aftosa. O exemplo de Mato Grosso do Sul, segundo Delgado, é ''emblemático''. Depois do surgimento de uma propriedade infectada, vários focos surgiram sucessivamente. Até o fim do dia de ontem, eram 22 focos da doença em Mato Grosso do Sul. ''A investigação sobre essas coletas deve ser feita pelo Ministério da Agricultura, em campo. O laboratório apenas faz as análises de materiais que recebe, mas essa é uma doença que dificilmente alguém consegue esconder por muito tempo'', declarou Delgado.
As dúvidas sobre as coletas recaem sobre a obtenção de soro dos animais. Segundo o Lanagro, o exame definitivo busca isolar o vírus de tecidos (epitélio) do animal doente. O exame no soro é complementar. Delgado disse que, de 28 análises de soros, apenas uma acusou anticorpos.


