Secretário diz que o 'mercado é poderoso'
A decisão da General Motors, de aumentar em até 11,37% o preço dos seus modelos, é um estímulo para que outras empresas façam o mesmo. A avaliação é das empresas de consultoria Price Warterhouse e KPMG. Em conversas com clientes, constataram que a maior expectativa, neste momento, é de ter uma estabilização da cotação do real frente ao dólar, que permita definir preços. Quando a GM, com a força que tem, anuncia aumento, estimula seus fornecedores a fazer mesma coisa, disse Diogo Ruiz, sócio-diretor da KPMG.
Quando não há um aumento na ponta final, os fornecedores têm mais dificuldade em aumentar seus preços. Do contrário, há um incentivo, emendou. E, assim, os fornecedores da montadora, teriam mais facilidade em elevar seus preços. O sócio da Price Warterhouse, Fábio Niccheri, viu o aumento dos preços da General Motors de forma negativa. Quando todo mundo começa a aumentar, há uma tendência de alta dos preços, ponderou o analista. De imediato, Niccheri não vê a possibilidade da definição de preços à medida que o valor do real ainda está oscilando muito. Alguns setores, segundo ele, talvez não tenham de repassar nada para seus preços, mas outros precisem.
O governo informou ontem que está avaliando os aumentos anunciados pela General Motors para decidir se solicitará à empresa informações que justifiquem os novos preços. O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Consídera, disse que não vê razão, por enquanto, para pedir à GM que se explique, disse ele. Isso vai depender da análise que está sendo feita pela área específica da Secretaria.
Ele acredita, porém, que nem a GM, nem nenhuma outra indústria automobilística, encontrarão condições de mercado favoráveis a aumentos de preço. O setor está altamente estocado, lembrou. Outras companhias poderão preferir não aumentar o preço para conseguir um maior volume de vendas. O secretário lembrou, também, que a desvalorização cambial afeta de modo diferente cada modelo produzido, dependendo dos componentes importados que entrem em sua fabricação.
O mercado é poderoso no sentido de controlar aumentos de preço, afirmou Consídera. Ele admitiu que o setor automobilístico foi, até poucos anos atrás, fortemente oligopolizado - ou seja, dominado por poucas empresas que, por isso mesmo, acabavam tendo poder de ditar preços. Hoje, há um processo de concorrência amplo, em função da chegada de novas empresas, disse ele. O cartel foi desestruturado.
Segundo ele, o governo agirá somente no sentido de estimular a concorrência em setores onde os preços estejam sendo elevados. Ele explicou que, no caso da GM, está sendo verificado se houve abuso de preço. Caso outras montadoras também elevem seus preços, a investigação passará a ser sobre formação de cartel. No entanto, segundo explicou, não há indícios de nenhuma dessas duas práticas desleais de mercado.





