Secretário concorda com críticas da UE
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de julho de 2006
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, admitiu ontem que é ''horrível'' para a imagem dos produtos agrícolas brasileiros no exterior o puxão de orelhas dado pelo embaixador da União Européia (UE) no Brasil, João Pacheco. O embaixador afirmou que ''o Brasil tem de levar a sério'' a questão do controle sanitário dos produtos agrícolas, porque a situação no País ''não é boa''. ''A reclamação foi muito ruim'', resumiu o secretário.
As críticas do embaixador são referentes ao controle adotado pelo Brasil para resíduos biológicos em produtos agrícolas. O secretário disse que o Brasil enviou detalhes sobre o programa de resíduos em ovos, mel, carne de equinos, peixes e camarão no prazo estabelecido pela UE. ''Se eles tiverem alguma dúvida estamos dispostos a ir até lá e discutir tecnicamente a proposta'', afirmou Maciel.
Apesar das críticas, o secretário não acredita em embargo desses produtos. Depois de barrar as compras de mel brasileiro em março, a UE ameaça agora vetar as importações desses outros produtos em setembro. ''Uma coisa é o relatório. A outra é apresentar a proposta. Vamos esclarecer a situação'', disse. Com o embargo ao mel, o Brasil deixa de vender cerca de 80% de sua produção. O Brasil produz de 35 mil a 45 mil toneladas de mel por ano. Em 2005, os embarques somaram 14,5 mil toneladas e renderam US$ 18,94 milhões.
De acordo com números da iniciativa privada, a UE respondeu por 80% das vendas feitas pelo Brasil no ano passado. Maciel avaliou que por trás das críticas da UE pode haver protecionismo, mas admitiu que ''a questão técnica precisa ser esclarecida melhor''. Logo que tomou conhecimento das declarações de Pacheco, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, ligou para Maciel e, na sequência, encaminhou uma cópia da matéria para o secretário.
Maciel comentou que vai procurar o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do ministério, Célio Porto, para que, em conjunto, as secretarias divulguem nas embaixadas as ações feitas pelo ministério na área sanitária. ''É importante fazer alguma apresentação nas embaixadas'', comentou. Não há data prevista para essas ações.


