Secretaria da Fazenda está fechada para balanço
Desde que foi indicado para o cargo de secretário da Fazenda e president e da
Copel, Ingo Hubert, tenta dividir seu tempo entre as duas atividades. Mas confessa estar debruçado mais em cima dos balanços e contratos da Secretaria. Hubert recebeu a Folha, ontem, para falar sobre o futuro da Copel, mas acabou concordando em falar um pouco também sobre o trabalho que pretende desenvolver como secretário. A seguir trechos da entrevista.
Folha: Como o senhor encontrou as finanças do governo?
Hubert: Estamos fechados para balanço. Temos um período de três semanas para analisar todas as contas, secretaria por secretaria e arrecadação por arrecadação. Iremos propor, então, um plano de equilíbrio das finanças. Essa é a grande meta: equilibrar finanças.
Folha: De tudo isso sairá um plano?
Hubert: Sairá um programa para equilibrar as finanças do Estado.
Folha: De quanto é a dívida do Estado?
Hubert: Ainda não temos os números fechados. Há vários conceitos de dívida. E eu não gostaria de especular nada. Em três semanas, poderei falar sobre as contas. Neste momento estamos enfurnados até o pescoço, tentando dissecar os números.
Folha: O senhor ficou com o grande abacaxi de um governo que são as finanças públicas.
Hubert: E ponha abacaxi. Mas aqui no Paraná tem uma vantagem. Começaremos a entrar na fase da colheita. As empresas que tiveram dilação do ICMS começarão a pagar o imposto em breve. Temos uma situação tão complicada quanto os outros Estados, mas temos um fio de esperança a mais. Se ainda fôssemos um Estado agrícola, teríamos um caminhão de abacaxis.
Folha: O Estado precisa da Copel para capitalizar o fundo de pensão, que representa o desafogamento da finanças públicas. Mas a privatização está adiada. Não caímos, então, num círculo vicioso?
Hubert: Temos que fazer um plano que seja realista e contemple isso. Temos uma visão clara do que é possível ser feito.
Folha: Como assim? O plano seria administrar as finanças até que o governo consiga os ativos da Copel para colocar no fundo de pensão?
Hubert: Isso mesmo. Temos uma fase antes (desajuste financeiro) e uma depois, esta quando houver dinheiro em caixa e contas em equilíbrio. Isso seria o nirvana.
Folha: É possível chegar neste equilíbrio?
Hubert: Claro. É possível sim. É exatamente nisso que estamos focados. Esta é minha meta. É uma tarefa muito complica.
Folha: A Copel seria uma espécie de salvação para as finaças públicas?
Hubert: Seria. O bom desta história é que mesmo que o Estado não tivesse problemas financeiros, a Copel teria de ser privatizada. A Copel tem de ser privatizada pelo novo contexto mundial do setor elétrico.
Folha: É correto dizer que a venda da Copel representará um grande fôlego financeiro para o Estado?
Hubert: Sem dúvida. A Copel será grande ingrediente para se conseguir o equilíbrio financeiro. Dará grande alavanca à solução de nossos problemas. Permitirá que o Estado cumpra a sua função que é dar segurança pública, saneamento e educação.
Folha: O Estado só terá equacionado suas finanças quando houver o dinheiro da venda da Copel?
Hubert: Eu não faria uma vinculação tão direta. Evidente que haverá forte ajuda com a venda dos ativos. Mas há outros fatores que ajudarão. Entre eles está o ICMS que será gerado com o novo perfil econômico do Estado, por exemplo. Tem ainda o fundo de previdência, que cada vez mais irá reduzir o gasto do Estado com a folha de pagamento.
Folha: Uma das críticas feitas principalmente por deputados aos secretários que o antecederam na Fazenda era de que os secretários da Fazenda não atendiam os pedidos deles para liberar verbas para o interior. Isto muda?
Hubert: O duro é administrar dinheiro que não existe. Na realidade a necessidade do meio político é muito grande. Os municípios precisam, evidente. Mas não estou prometendo mesmo. A única coisa que quero é equilíbrio. Não vamos em absoluto fazer nenhuma loucura.
Folha: O recado então é que o senhor não poderá atender muitos pedidos, neste momento?
Hubert: Precisamente isso. Esse é o recado: estamos fechados para balanço.
Folha: O senhor tem um perfil de trabalho mais discreto e reservado. Isso contribuiu para que o governador o escolhesse?
Hubert: O que o governador quis e me disse era para que fizéssemos o equilíbrio das contas públicas, em primeiro lugar. Com o equilíbrio vamos atender os políticos, depois. Mas não dá para colocar a carroça na frente dos bois. A missão clara é o equilíbrio.





