Agência Estado
De Buenos Aires
‘‘Temos de retomar a dureza nas negociações com o Brasil e ter posições mais firmes.’’ A declaração é da Secretária de Indústria e Comércio da Argentina, Débora Giorgi, que em uma contundente entrevista ao jornal ‘‘Clarín’’ afirmou que é preciso ‘‘estabelecer cláusulas automáticas de compensação diante dos prejuízos que os países sofrem quando um dos sócios altera de forma unilateral as regras macro-econômicas, como foi o caso da desvalorização do real’’. Essa medida estaria dentro do que Giorgi denomina de ‘‘relançamento do Mercosul’’.
Segundo ela, o presidente Fernando De la Rúa terá um estilo de governo diferente do anterior, imprimindo um tom mais duro nas negociações. ‘‘Ele já fez isso ao prorrogar por decreto o regime automotivo por 60 dias’’, ilustrou. Referindo-se à administração do ex-presidente Carlos Menem, Giorgi afirmou que o governo anterior foi ‘‘excessivamente permissivo com o Brasil’’.
Giorgi afirma que nos dois anos anteriores à desvalorização do real, o governo argentino teve posições ‘‘demasiadamente frouxas’’ com o Brasil. ‘‘Isso ocorreu porque havia medo de provocar o pior cenário, que era a desvalorização’’.’’
Segundo a secretária de Indústria e Comércio, o país tem de se ‘‘esmerar’’ em recuperar o mercado brasileiro, para onde se destinam 30% das exportações industriais argentinas. ‘‘A manutenção do Mercosul é uma prioridade. Mas todas as regras devem ser cumpridas. E desta vez toca à Argentina fazer que sejam cumpridas’’, explicou Giorgi, deixando claro qual será a postura argentina nesta quarta-feira, quando os governos dos dois países se reunirão para levar a adiante a negociação sobre o regime automotivo.

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