A seca que atinge várias regiões do Paraná contribui para o aumento da oferta de bovinos no mercado. A consequência é que o preço do boi gordo começou a semana em queda. No Paraná, a arroba caiu de R$ 58,00 para R$ 57,00 na última segunda-feira. Segundo o analista de mercado Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, em Bebedouro, pode haver novas desvalorizações.
O problema é enfrentado por todos os estados da região Sul. Como as pastagens estão secas, falta alimento para o gado. Os pecuaristas, sem saída para o problema, acabam vendendo os animais. ''Agora que é período de safra, deveria haver boi engordando no pasto, mas os criadores estão sem condições de segurar o gado'', afirmou.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), os pecuaristas vendem os animais gordos da propriedade diretamente para o abate; e os de baixo peso para terminadores, que compram grande quantidade de animais magros nestas épocas para aproveitar o preço baixo do quilo vivo.
Os produtores, segundo o técnico Fábio Mezzadri, engordam os animais em regime de confinamento, semi-confinamento ou em pastagens de inverno. Os bois são vendidos no final do inverno, quando acaba a entressafra, o que garante boa lucratividade por causa da baixa oferta.
Pecuarista na região de Cascavel, Euclides José Fornighieri, classificou como ''caótica'' a situação enfrentada por criadores da região. ''Falta pasto e água para os animais beberem'', disse, acrescentando que o problema foi agravado porque muita gente transformou pastagem em lavoura para aproveitar os bons preços da soja. ''Sem alimento e água, a única solução é vender.'' Com recursos para manter os animais, Fornighieri ainda não precisou comercializar o gado. ''Pelo contrário, até comprei bois. Mas 90% das propriedades estão em situação muito precária''.
Tito Rosa, da Scot, analisou que a conjuntura atual pode refletir em escassez de animais no meio do ano, quando chegaria a época certa para comercialização dos bois que estão sendo vendidos agora. Ele comentou também que o preço não caiu mais graças ao mercado de exportação. A expectativa é que o Brasil exporte, em 2004, um volume de 10% a 15% maior que as 1,26 milhão de toneladas de equivalente carcaça comercializadas no ano passado.
O aumento no faturamento deve ser ainda maior por causa dos bons preços da carne no mercado internacional. A carne in natura, por exemplo, acumulou alta de 10% apenas nos três primeiros meses do ano.

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