Seca provoca alta do boi gordo no Centro-Oeste
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Fabíola Salvador Agência Estado 
A seca prolongada que castiga os Estados do Centro-Oeste determinou fortes altas nos preços da arroba do boi gordo em Goiás nos 30 dias. As chuvas que eram esperadas entre julho e agosto não vieram e a condição dos pastos piorou. Em Goiânia, a arroba passou de R$ 25 no início de janeiro para R$ 27,50 na sexta-feira da semana. De agosto para setembro a arroba subiu 9,09%, de R$ 25,00 no dia 25 do mês passado para R$ 27,50 na sexta-feira passada, segundo pesquisa de preços da FNP Consultoria.
De janeiro a agosto, os preços mantiveram-se num intervalo de R$ 23,50 e R$ 25 por arroba. Em São Paulo, termômetro de preços para o mercado nacional, a alta foi bem menor. A arroba no noroeste do Estado passou de R$ 28 no dia 25 de agosto para R$ 29,50 na sexta-feira.
A alta em Goiás é justificada pelo clima. Historicamente, no começo do outubro já temos pastagens prontas para engorda no Estado. Neste ano, a situação é inversa, disse Luiz Antônio Ferreira, coordenador do programa de novilho precoce da Secretaria da Agricultura do Estado.
Com o clima mais seco, os confinadores retiveram o boi esperando por preços melhores. A expectativa de gastar, por exemplo, R$ 1 por dia com ração e ter remuneração final de 20% a 30% maior no preço final determinou a retenção dos animais na entressafra, disse Ferreira. José Vicente Ferraz, da FNP, aponta outro fator para a retenção. Segundo ele, os pecuaristas adotaram o sistema de recalcar os animais no Estado.
Isso significa que com a ração barata, a base
principalmente de polpa cítrica, compensa manter os animais nos confinamentos. No final do período de engorda, o pecuarista recebe mais sem ter gasto muito, o que compensa o investimento. Dados da FNP indicam que 155 mil animais foram semiconfinados e 210 mil confinados na entressafra deste ano em Goiás.
No ano passado, esse número foi de 155 mil e 190 mil cabeças, respectivamente. É cedo para estimar quantos animais já foram abatidos, mas os abates começaram intensamente na última semana, disse Vicente Ferraz, da FNP.
Ferreira prevê que 30% dos animais devem ter sido abatidos, mas esse número não é exato. Boletins meteorológicos indicam que há previsão de chuvas no começo de outubro para o Estado, disse Ferreira, da Secretaria de Agricultura. Quando a chuva começa, o pecuarista é obrigado a vender os animais confinados e semiconfinados, afirmou Ferreira. As chuvas, prejudiciais à engorda de animais, podem determinar grande desova de bois prontos. Os preços podem voltar ao nível normal com o grande abate de animais, disse Ferreira.
A seca também afetou os outros Estados do Centro-Oeste. Os preços subiram, mas em menor escala. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, os preços passaram de R$ 25,50 por arroba no dia 27 de abril para R$ 28 na sexta-feira da semana passada. Os preços tiveram uma grande puxada de agosto para setembro. No dia 25 de agosto a arroba valia R$ 26,50, valor 5,35% inferior ao praticado neste mês.
Em Barra do Garça, no Mato Grosso, a arroba subiu 5,55% de agosto para setembro, passando de R$ 25,50 em agosto para R$ 27,00 no último dia 25.


