Seca põe municípios em estado de alerta
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Ivaiporã - Os prejuízos provocados pela seca fizeram com que alguns municípios da região de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana) estudassem a possibilidade de decretar estado de calamidade pública. Segundo Antonio Sgobero, chefe do núcleo regional da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) do município, a falta de chuva prejudicou as lavouras de soja, milho e feijão e atrapalha o plantio das culturas de inverno. Além disso, as pastagens não se desenvolvem bem e falta água nos bebedouros utilizados pelos animais.
A última chuva ocorrida em Ivaiporã foi no dia 14 de março. Nos três primeiros meses deste ano, choveu apenas 315,4 mm no município. O volume é 53,56% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. ''Em consequência disso, as minas e os rios estão diminuindo sua vazão de água ou mesmo secando'', afirmou.
O núcleo regional da Seab abrange 22 municípios. Os principais prejuízos devem ser registrados nas culturas tardias e de inverno, conforme o engenheiro agrônomo Sérgio Carlos Empinotti, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab em Ivaiporã.
A produção do milho safrinha, por exemplo, deve quebrar em pelo menos 50%. A estimativa inicial era que a região produzisse 44 mil toneladas em 14,7 mil ha. O feijão da seca também terá queda mínima de 50% na produção. A previsão inicial era de colher 7,2 mil toneladas em 6,7 mil ha.
Nas lavouras de verão, os prejuízos contabilizados até agora são menores. A soja, que cobre 180 mil ha na região, quebrou 6,5%, com produção de 522 mil toneladas. A primeira safra de milho terá quebra de 18%, com colheita de 405 mil toneladas.
Nas áreas de pastagens, muitos pecuaristas não têm mais água nos bebedouros e reservatórios. Por isso, o líquido precisa ser bombeado de grandes distâncias ou trazido por carros pipa. Sgobero contou que as prefeituras estão deslocando suas retro-escavadeiras e pá-carregadeiras para construírem bebedouros na tentativa de evitar que os animais morram de sede.
No último boletim divulgado pelo Deral de Curitiba, os engenheiros agrônomos Vera da Rocha Zardo e Norberto Anacleto Ortiguara informaram que na região de Francisco Beltrão, dos 27 municípios atendidos pelo núcleo regional, 25 decretaram estado de emergência. Muitas propriedades estão sem água para as atividades pecuárias e também para o consumo humano.
As chuvas que caíram sexta-feira e sábado nos 38 municípios que sediam entrepostos da Cocamar, no Norte e Noroeste do Estado, interromperam um período de estiagem, aliviaram os produtores de milho de inverno mas não descartaram a possibilidade de quebras. De acordo com técnicos da cooperativa, o problema com o milho é o mesmo que prejudicou o desenvolvimento da soja em várias regiões nestes primeiros meses de 2004: a má-distribuição das chuvas, com volumes razoáveis em algumas áreas e quase nada em outras.
Na sexta-feira e sábado, as precipitações atingiram, em média, 28 e 19 milímetros em 38 localidades. No total desse ano, foram 444 milímetros. As possíveis quebras ainda não podem ser avaliadas, o que só acontecerá ao final do ciclo da cultura. A colheita inicia, em alguns lugares, no final do mês que vem.


