A partir de maio, o custo da produção do leite deve sofrer aumento significativo no Paraná. A estiagem registrada no final de 2011 resultou em uma redução de 5,03 milhões de toneladas de grãos na safra paranaense de verão, o equivalente a um prejuízo de R$ 3,29 bilhões aos agricultores. A diminuição da oferta tende a reajustar os preços dos insumos da dieta suplementar do gado. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea), entre dezembro e janeiro, a dieta concentrada já apresentou acréscimo de 11% na média entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia.
''Acredito que a maior interferência nos custos vai ocorrer mais adiante, a partir de maio, quando começa a entressafra e os produtores utilizam mais insumos para a alimentação suplementar do gado'', argumenta o médico veterinário da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Fábio Mezzadri. Em contrapartida, o investimento cada vez maior em tecnologia e dietas concentradas impediu que a estiagem tivesse maior impacto na produção de leite e fez com que o volume captado se mantivesse no mesmo patamar de anos anteriores.
Na média nacional, o Índice de Captação de Leite do Cepea (Icap-Leite) recuou 2,1% em janeiro, em relação a dezembro. Na região Sul, o recuo foi de 0,6% e, no Paraná, 0,54%. ''A estiagem afetou principalmente o fornecimento de alimento ao gado, por comprometer tanto as pastagens quanto as lavouras de grãos'', afirma a pesquisadora do Cepea, Aline Barrozo Ferro. Segundo ela, mesmo com a interferência climática, o cenário atual do mercado de leite está dentro da normalidade esperada para o período.
Preços
Segundo levantamento da Seab, a média paga pelo litro de leite ao produtor paranaense sofreu queda de R$ 0,01 entre janeiro e fevereiro deste ano, passando de R$ 0,80 para R$ 0,79 no mês passado. Em comparação à fevereiro de 2011, quando era adquirido a R$ 0,71, o produto teve valorização de 11,2%. Segundo o Cepea, os preços no Paraná permaneceram praticamente estáveis, com leve recuo de 0,4% em fevereiro, a R$ 0,8355/litro.
Entretanto, na média nacional, os preços pagos ao produtor apresentaram aumento motivado pela ligeira redução da oferta. Em todo o País, o preço médio pago aos produtores subiu em fevereiro. A média ponderada dos sete estados, foi de R$ 0,8408/litro, um aumento de 1,1% em relação ao pagamento de janeiro. Se comparado à fevereiro do ano passado, o valor representa um aumento de 8,3%. Pesquisa realizada pelo Cepea aponta que a expectativa da maior parte dos compradores para o pagamento de março é de estabilidade ou alta de preços, baseados na estimativa de contínua redução da produção de leite.

Imagem ilustrativa da imagem Seca pode elevar custos do leite na entressafra
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