Vânia Casado
De Curitiba
O prolongamento da estiagem, que pode comprometer a safra principal de milho no Paraná, está obrigando as grandes empresas a recorrerem à importação. Nos últimos dias aumentaram as compras do grão na Argentina e no Paraguai, informou a corretora Agrolan, de Guarapuava. A intensificação das importações começou quando a cotação do milho atingiu R$ 14,00 a saca, considerado inviável para as compras.
Segundo a corretora, não está faltando milho para as grandes empresas de integração, nem para as cooperativas. Ocorre que elas estão preocupadas com a possibilidade de quebra na produção da safra 99/2000 e estão revendo suas posições. O temor é que o milho acabe antes do início da nova safra, que poderá ser novamente inferior ao consumo, como ocorreu esse ano. O milho comprado na Argentina está sendo internalizado em Santa Catarina, entre R$ 13,00 a R$ 13,40 a saca.
Com as importações, o mercado de milho recuou. O preço no atacado caiu para R$ 12,50 a saca, ontem, e estava praticamente parado. ‘‘ Haviam poucos compradores’’, disse o corretor. As cooperativas estão ofertando mais milho diante da ameaça das importações, acrescentou.
A preocupação agora é com o desenvolvimento da safra de milho, disse a engenheira agrônoma da Secretaria da Agricultura, Vera Zardo. Segundo ela, 12% das lavouras estão em fase reprodutiva (de penduamento) e precisam de água para o desenvolvimento. Se não chover essa semana, ela acredita que haverá reflexos na queda de produtividade.
Além da preocupação com o desenvolvimento das lavouras o plantio da área prevista ainda não foi concluído. Até agora, 93% da área prevista de 1,57 milhão de hectares está plantada, informou a agrônoma. O plantio já devia estar concluído, mas não evolui por causa da seca. Por enquanto a Secretaria da Agricultura trabalha com a expectativa de que serão colhidas no estado 6 milhões de toneladas de milho.

mockup