Seca no Rio Grande do Sul e veranicos em vários municípios do Paraná, que já refletiram na Bolsa de Chicago, como na terça e quarta-feiras, são os fatores que devem continuar exercendo influência no mercado da soja e do milho. A abundante safra norte-americana, de cerca de 78 milhões de toneladas, já está definida e não dá margem a especulação, a não ser através do comportamento das exportações semanais norte-americanas. Outra forte variável, a desvalorização da moeda argentina, também ‘‘já mexeu o que tinha de mexer’’, segundo analistas de mercado. As atenções do mercado, agora, estão focadas para as condições de clima no Brasil e, dentro de mais algumas semanas, nos plantios da Argentina.
Mas a acomodações dos fatores influentes não significa estabilidade de preços. Se a seca no RS, que afeta 16 municípios da zona produtora de grãos, continuar, o mercado responderá com altas e baixas repentinas. A excelente capacidade de recuperação da soja tem limite, segundo analistas gaúchos. E a safra paranaense ainda está sujeita a riscos, ao contrário da soja de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, que está bem servida pelo clima.
Sobre a safra argentina, o especialista Fábio Trigueirinho, da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), observa que, mesmo em crise, eles têm conseguido plantar normalmente. E neste momento, a capacidade de investimento do agricultor argentino tende a crescer pois a desvalorização da moeda frente ao dólar, confere mais rentabilidade ao produto exportado. Três anos atrás os agricultores brasileiros também passaram por este processo e sabem que isto dá fôlego ao produtor.
Apesar disso, a Argentina não chega a ser uma ameaça às exportações brasilerias. O Brasil avançou muito em redução de custos ao melhorar, por exemplo, sua logística de transporte.
O ténico lembrou que na última safra do Mato Grosso, 50% da produção foi transportada por ferrovia (Ferronorte) e por hidrovia. Por ferrovia foram cerca de 3,5 milhões de toneladas enquanto a hidrovia transportou 1,5 milhão. A metade da produção fez uso de um transporte mais econômico e esta redução de custos significa aumento da competitividade da soja brasileira.
No momento estamos muito competitivos. Quem está sofrendo com o crescimento das sojas brasileira e argentina são os Estados Unidos. Eles já atingiram o máximo de eficiência e não têm onde enxugar sua estrutura de custos; o jeito é recorrer ao subsídio.
Outro fator influente no mercado é que o Brasil ainda tem espaço para aumentar sua produção via produtividade - ganho por área - e através da ampliação de área pois a fronteira de grãos não atingiu seu limite, ao contrário de norte-americanos que para aumentar a produção de soja têm que reduzir a área de milho.

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