O preço médio para o feijão de cor diminuiu 5,6% no mês passado em relação a julho
O preço médio para o feijão de cor diminuiu 5,6% no mês passado em relação a julho | Foto: Gina Mardones/1º-06f-2016



Se o preço do feijão caiu em agosto e deu um fôlego ao consumidor, o produtor paranaense não terá de se preocupar com a queda das cotações. A colheita da safra irrigada nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do País diminuiu levemente a escassez do produto, mas, como também houve seca, a produção foi menor do que a esperada. Tanto que a expectativa no Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) é que o custo do grão às famílias volte a crescer em outubro.
O valor do saco de 1 kg caiu em 19 das 27 capitais do País em agosto, conforme a pesquisa sobre o valor da cesta básica divulgada na última sexta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O preço médio para o feijão de cor diminuiu 5,6% no mês passado em relação a julho, enquanto o do tipo preto aumentou 2,8%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por outro lado, o valor recebido pelos produtores paranaenses aumentou 2,4% para o de cor e caiu 1,0% para o preto, no mesmo comparativo de meses, informa o Deral. A diferença para o custo praticado no varejo se deve justamente à maior oferta pela chegada do produto da safra irrigada. "A falta de feijão fez com que muitos dos que comiam o de cor passassem para o preto, além do que houve muita seca na safra irrigada, o que atrapalhou", diz o engenheiro agrônomo do Deral Carlos Alberto Salvador.
Ele afirma que o alívio no preço foi menor do que poderia ocorrer. "O alento é momentâneo e em outubro pode complicar de novo", completa Salvador. Ainda, o analista do Deral considera que a maior demanda por feijão preto fez com que também a importação fosse elevada. De janeiro a julho, foram 129 mil toneladas que chegaram ao Brasil, a maior parte da Argentina. A quantidade é 78% superior às 72 mil toneladas compradas no mesmo período do ano passado.

Queda em dezembro
Professor de economia rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugenio Stefanelo diz que a variedade de cor é a mais plantada no Centro-Oeste e no Nordeste e que, em viagem há alguns dias à Bahia, ouviu muitas reclamações sobre a seca. "Temos uma oferta de feijão mais distribuída ao longo do ano porque muitas regiões têm até três safras. Mas o Sul é o maior produtor e o Paraná, por exemplo, só tem duas", diz.
Para o analista do Deral, somente em dezembro o preço começará a cair. Conforme a primeira estimativa do órgão, houve aumento de 7% na área plantada da primeira safra e expectativa de produção 26% maior, já que houve quebra no ano passado. Mesmo assim, Stefanelo acredita que o produtor não tem com que se preocupar. "Se der safra cheia, com clima normal, o preço de mercado cai, mas ainda será um ótimo valor pago ao produtor", explica.
Até o momento, Stefanelo diz que as previsões apontam que o volume de chuvas está dentro do normal e que o clima frio pouco interferiu no plantio. "Existe um risco de tempo mais seco em novembro, mas isso já não vai afetar a safra", completa.

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