Oswaldo Petrin
De Londrina
Os dados apresentados ontem por especialistas em produção e comercialização de café, durante o ‘‘Seminário do Caf钒, realizado em Londrina, indicam que os preços do café serão mantidos nos patamares atuais, com pequenas oscilações, mas sustentando as maiores médias dos últimos anos. Poucas vezes na história recente do café, oferta e demanda estiveram tão equilibradas e os estoques tão baixos. Entretanto, o produtor tem que saber comercializar, fazendo boas médias (e não ‘‘cometendo ’ especulações como optar por vender apenas na alta. Informação e conhecimento do mercado são premissas fundamentais, segundo Luiz Morikoshi, do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo.
A redução da safra cafeeira pela seca está estimada entre 25% e 30%, ou entre 10 milhões e 12 milhões de sacas de uma previsão inicial de 40 milhões de sacas. Mas se continuar havendo deficiência hídrica, além do aumento da perda pode haver problema de qualidade. A safra prejudicada é a 1999/2000 ou safra comercial 2000/2001.
As maiores perdas ocorrerem justamente nos Estados que têm maior participação na produção nacional, Minas Gerais (55%) e São Paulo entre 10% e 12%.
Perdas deste ano estão sendo comparadas às da safra 1985/86 em que o Brasil colhe 14,5 milhões de sacas, quando a estimativa era de 23,5 milhões de sacas. A diferença é que naquele ano tanto o mercado nacional como o externo estavam estocados. Atualmente os estoques do governo - importante instrumento regulador de preços - estão entre 8 milhões e 9 milhões de sacas. Em mãos de produtores e cooperatias, até julho, 7 milhões a 8 milhões de sacas que tem que ‘‘aguentar’’ até julho do ano que vem.
As informações sobre perdas foram apresentadas pelo pesquisador José Braz Matiello, do Ministério da Agricultura e Abastecimento e do Procafé. Ele não tem dúvida que a repercussão dessas perdas continuarão no mercado internacional, já que o Brasil é responsável por quase 30% da produção mundial, em torno de 103 milhões de sacas.
Custos Os técnicos esclareceram que o alto preço do café hoje está deixando uma margem de lucro para o produtor apenas razoável uma vez que os custos aumentaram muito com o ajuste cambial no início do ano. A maioria dos produtos usados no tratamento fitossanitário tem princípio ativo importado.
Matiello disse que a estiagem recolocou os preços nos níveis justos e desejados pelos agricultores. Sem o fenômeno - que reduziu a florada dos cafezais de todos os Estados produtores, inclusive o Paraná, em menor intensidade - o preço do café hoje não passaria de R$ 100,00 reais/saca ou cerca de R$ 50,00.
Por esta razão, segundo observa Matiello, ‘‘temos de ter produtividade mas com baixo custo de produção. ‘‘Nem tudo são eficiência’’. O técnico previu para dentro de três a quatro anos um novo aumento acentuado de produção. Ele também alertou para indícios de aumento de área de plantio, diante dos bons preços atuais. Citou como exemplo o caso do México que em três anos passou de 4,5 milhões para 6,5 milhões de sacas.
É natural que isto ocorra. Só que o produtor tem que se planejar para ter lucratividade e que nem sempre isto vai correr como agora - referindo-se às consequências do problema climático.
Paraná é competitivo O modelo adensado garante lucratividade ao produtor, mesmo quando o clima não corre bem, como agora. Esta é uma das informações do especialista do Deral Paulo Sérgio Franzini, que falou ontem no painel ‘‘Acompanhamento Conjuntural da Safra Agrícola 98/99’’.
A cafeicultura no Paraná ocupa 156 mil hectares, sendo 39 mil ha de plantio adensado que representa 27% da área e 34% da produção. A safra deste ano será de 2,31 milhões de sacas mas o Paraná já tem potencial para 2,8 a 3 milhões de sacas. Principal fator de quebra da safra este ano foram as geadas negras de abril e agosto e a estiagem.
A cafeicultura paranaense oferece matéria-prima para 122 indústrias torrefadoras e oferece 86 mil empregos.
Segundo Franzini a cafeicultura do Paraná é a mais competitiva e tem um custo de produção estimado em R$ 74,00 por saca.
Além de José Braz Matiello, do Procafé; Paulo Sérgio Franzini, do Deral, e Luiz Marikoshi do Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo, falaram ainda os especialistas da Francisco Barbosa Lima, do Decaf/Ministério da Agricultura e do Abastecimento; Sidney A. Baroni, da Emater, e Dante L. Stefanini, consultor de empresas.
No final do Seminário houve premiação do Concurso de Café de Londrina e palestra sobre qualidade pelo Secretário da Agricultura e do Abastecimento Antônio Poloni. Cerca de 500 pessoas entre técnicos e produtores participaram do evento.Safra nacional tem quebra de pelo menos 25%. Consequências sobre o mercado podem aumentar, prevêem especialistas
Dorico da SilvaFranzini, do Deral: Paraná competitivoDorico da SilvaMatiello: cenário que garante preçosCERIMÔNIATécnicos e lideranças locais na abertura do Seminário do Café, ontem em Londrina

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