Seca leva 26 municípios a decretar emergência
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A forte estiagem que assola o Paraná desde o mês passado deve levar 26 municípios da Região Sudoeste a decretar estado de emergência. A informação é do Departamento de Economia Rural (Deral) de Francisco Beltrão, órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Nessa região, os técnicos já foram a campo e estão tabulando as informações coletadas. A expectativa é que os dados sejam finalizados na próxima semana. Em todo o Estado, a seca já causa prejuízos de cerca de R$ 380 milhões. As culturas mais afetadas são o milho e a soja.
Segundo levantamentos preliminares do órgão, 21 municípios já tiveram prejuízos que equivalem entre 10% e 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Outros cinco acumulam perdas que variam entre 5% a 10% do PIB. O Deral de Francisco Beltrão abrange 27 municípios e, apenas um deles - Cruzeiro do Iguaçu (75 km ao norte de Francisco Beltrão) - ainda não manifestou interesse em decretar emergência. Nessa cidade, foram registradas pancadas de chuvas isoladas e a situação é um pouco mais amena do que nas demais localidades.
De acordo com o chefe do Deral de Beltrão, Antoninho Fontanella, na região a situação é ainda mais crítica do que a divulgada pela sede do órgão, na semana passada. Ele acrescenta que a seca trouxe prejuízos aos produtores de soja, milho, feijão, cultura de subsistência e para a bacia leiteira. Devido à redução das pastagens, a produção de leite já foi reduzida entre 15% e 40%, conforme o município. O Sudoeste tem a segunda maior bacia leiteira do Estado. ''Este é o terceiro ano que temos estiagem, que está se agravando'', afirma.
Francisco Beltrão é um dos 26 municípios que irá decretar emergência. Segundo a secretária municipal de Agricultura, Adriana Salvadore, até ontem os prejuízos somavam R$ 31.143.385,00 com prejuízos na agricultura e na cadeia leiteira. A estimativa de perdas é de 70% na produção agrícola. ''Em novembro e dezembro choveu 68 milímetros, quando o normal seria mais de 100 mm em cada mês. Só para se ter uma idéia, em outubro foram registrados 393 mm de chuva'', comenta. Segundo Adriana, as poucas chuvas que caíram em novembro e dezembro prejudicaram, principalmente, o milho, que estava na fase da floração.
Chuvas - Segundo Fontanella, a ocorrência de chuvas pode reverter parte dos prejuízos nas lavouras, principalmente, na soja. Ele acrescenta que o plantio das culturas safrinhas (feijão, milho e soja) estão sendo atrasados. Segundo previsões do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) estão previstas chuvas de hoje a sábado em todo o Estado.
Já as lavouras da Região Norte deverão ficar em situação crítica a partir deste final de semana, se não chover. Por enquanto, segundo a engenheira agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Deral de Londrina, os solos estão úmidos porque foram registradas precipitações localizadas entre o final de 2005 e o início deste ano. ''Se não chover neste final de semana haverá prejuízos principalmente nas lavouras de soja, que está na fase da floração ou frutificação e formação de grãos'', informa.


