Seca já reflete no mercado externo
Da Redação
Uma nova variável passa a exercer influência sobre o comportamento do preço da soja no mercado internacional: é a condição climática na América do Sul, notadamente no Brasil. Independente do que ocorra com a soja no disponível, neste momento, a seca vai mexer com os preços na próxima safra. Temos que olhar o mercado da safra 1999/2000, afirma o gerente de Comercialização da Valcoop Ermelino Nogueira, entrevistado ontem por este jornal. Ele não fala sobre perdas, mas tem certeza que a produção de milho, pelo menos, está comprometida. E o mercado na próxima safra vai trabalhar com pouca oferta.
No caso do abastecimento do milho o problema é grave. O governo tentou amenizar os efeitos da escassez, através de mecanismos que tinha em mãos, como a venda de estoques, embora pequenos. Mas, face às condições adversas, dificilmente o milho vai permanecer no nível de preços que está. A tendência é evoluir mais, segundo Nogueira, opinião que é confirmada por outros técnicos do setor.
Segundo ele, não há mecanismo para intervir no mercado. Na medida em que as ofertas forem caindo ainda mais tendem a puxar os preços. Um dos setores compradores, o dos granjeiros, está abastecido com estoques curto e vai ter que entrar no mercado e disputar a pequena disponibilidade.
A situação do milho é irreversível. A safra de milho já está comprometida em função da estiagem. A exemplo da soja, o técnico ainda não há condição de falar sobre perdas mas, com certeza, ela é significativa, segundo Ermelino Nogueira. As perdas do milho já comprometem o abastecimento. O período de plantio já terminou. E o plantio daqui para frente corre todos os riscos inerentes de uma safra fora de época normal.
A crise do milho é nacional. Esta semana indústrias paulistas começaram a adquirir milho no Paraná. Como São Paulo está totalmente sem estoque, as indústrias e avicultores paulistas vêm disputar o que ainda resta no Paraná.
O preço do milho importado inviabiliza qualquer tentativa de comprar o produto na Argentina, a não ser para algumas regiões do Rio Grande do Sul.
O milho importado chega na faixa que varia entre R$ 13,00 e R$ 14,00/saca. No Norte do Paraná o milho chegaria a quase R$ 15,00/saca. Além do que o preço fica sujeito a medidas de ajuste cambial.
A agravante para o abastecimento do milho é que está se configurando uma entressafra prolongada. Técnicos do próprio governo alertam para dois tipos de efeitos sobre o abastecimento e mercado. As perdas já caracterizadas e o atraso na safrinha, que tem uma função estratégica para estabilidade dos preços no segundo semestre.





