As lavouras de trigo não aguentam mais uma semana de seca. Apesar da sua capacidade de recuperação, a planta foi afetada em praticamente todas as fases do desenvolvimento vegetativo, comprometendo o crescimento e, portanto, a produtividade da espiga.
Plantios feitos no início de maio estão em processo de emborrachamento, quando a planta não pode prescindir de uma boa umidade. Já os plantios feitos com atraso, ou seja na prorrogação do prazo normal, correm um risco igual ou ainda maior pois a planta não passou, ainda, da fase de perfilho, igualmente vulnerável.
Não chove há 30/35 dias no Norte, Noroeste, Norte Pioneiro e Médio Paranapanema; de Jacarezinho a Paranavaí e Nova Londrina. As exceções são algumas microrregiões onde houve pequenas chuvas esparsas, insuficientes.
Sem previsão - Até ontem à tarde, o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) e o Iapar não tinham previsão de chuvas. Também as empresas que prestam serviços aos comerciantes de café informaram ontem que não há previsão de ‘‘fenômenos climáticos’’ (chuvas ou geadas) até o próximo dia 2 de julho.
A engenheira agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Departamento de Economia Rural, da Seab, confirma que o quadro é de perdas. Mas considera cedo para avaliar os prejuízos pois o Deral não trabalha em cima de análises subjetivas. Além disso, a técnica leva em consideração que o trigo é uma gramínea com boa capacidade de recuperação - ‘‘melhor que o milho’’ - concordam pesquisadores do Iapar e Embrapa.
Técnicos da extensão dão como certa uma acentuada perda de produtividade, principalmente nas lavouras que ainda não concluíram o perfilho, aquelas semeadas após a prorrogação.
Umidade - O agrometeorologista do Iapar, Paulo Henrique Caramori, confirma que o teor de umidade do solo paranaense nessas regiões é baixo. ‘‘As condições hídricas para a agricultura começam a ficar críticas’’, segundo o especialista.
Para Caramori e sua equipe, a situação mais grave está nas áreas compreendidas entre Cambará, Londrina, Maringá, Paranavaí, até o vale do rio Paranapanema. Nessas áreas, o armazenamento de água no solo encontra-se abaixo de 25% da capacidade máxima, já limitando o crescimento das lavouras de trigo semeadas no início de maio, que agora iniciam a fase de emborrachamento, em que há maior necessidade hídrica.
Além do trigo, o veranico prejudica também o crescimento das forrageiras de inverno e das lavouras de milho safrinha. Para normalizar as condições hídricas do solo, é necessário chover cerca de 50 milímetros.

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