Lavouras de milho do Norte do Paraná e das regiões de Campo Mourão, Umuarama e Paranavaí estão sendo prejudicadas pela estiagem. De acordo com a engenheira agrônoma Vera Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a situação mais crítica é no Norte, onde 60% das lavouras foram plantadas. Em todo o Estado, 63% das áreas já foram semeadas.
As lavouras da região Norte estão em condições médias. A seca, segundo a agrônoma, aumenta o risco de ataques da lagarta do cartucho e pode afetar a produtividade. ''Mas ainda não estamos falando em quebra'', esclareceu.
A falta de chuva também afeta produtores que não iniciaram o plantio e precisam semear até meados de novembro para cumprir o prazo do zoneamento agrícola. Na região de Londrina, apenas 50% dos associados da Cooperativa Integrada plantaram o milho, informou o engenheiro agrônomo Seisuke Ito, gerente da regional de Londrina. ''Ainda está dentro do prazo, mas tradicionalmente, nesta época do ano as lavouras costumam estar todas plantadas'', disse.
Ele alertou que a semeadura no final de outubro e início de novembro não é recomendada porque coincide com o início do plantio da soja. ''Se não chover logo, o produtor vai ficar na dúvida sobre qual das culturas plantar'', analisou.
A estiagem também pode afetar o plantio da soja, que se inicia nesta semana. Segundo Vera Zardo, apesar de ainda haver bastante tempo para semear, os produtores que cultivam o milho safrinha devem começar a plantar a leguminosa em outubro para colher entre fevereiro e março, liberando áreas para o cereal. O atraso no plantio do safrinha aumenta o risco da cultura, que acabará enfrentando os dias mais frios do inverno.
A última chuva significativa em Londrina ocorreu no dia 21 de setembro, informou o pesquisador Paulo Caramori, da área de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo ele, choveu apenas 7,8 milímetros na cidade durante o mês de outubro, quando o normal para a época é precipitação de 130 milímetros. A temperatura também está bem mais alta que a média registrada em outros anos. Na semana passada os termômetros registraram de 26 a 27 graus, frente à média histórica de 22 graus.
A causa desse clima atípico é uma massa de ar quente localizada na região Sudeste do Brasil que bloqueia a entrada de frentes frias. O pesquisador explicou que a situação deve se normalizar com a ocorrência do fenômeno El NiÀo (aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico), que causa chuvas além do normal.

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