Seca eleva perdas da safra de milho
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
Apesar de o plantio de milho não ter sido concluído no Paraná, algumas lavouras já apresentam perdas irreversíveis em função da escassez de chuvas no Estado. As chuvas de ontem, em algumas regiões do Paraná, foram insuficientes. Um levantamento preliminar feito pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento aponta a redução de 6% na produção. A estimativa inicial previa uma colheita de 5,85 milhões de toneladas e agora as estimativas apontam para uma produção de 5,5 milhões de t. Com a redução de 350 mil t, os produtores deixarão de ganhar o equivalente a R$ 43,3 milhões.
Para evitar altas expressivas na cotação do milho, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) elevou o volume de milho vendido nos leilões semanais das Bolsas de Mecadorias em todo o país, de 100 mil toneladas para 200 mil ou 300 mil toneladas. Outra medida adotada pela Conab é manutenção das vendas de milho em balcão para pequenos criadores de frangos e suínos, informou o presidente do órgão, Eugenio Stefanello. Ele disse que a escassez de chuvas nos três estados do Sul preocupa, mas acredita que se o clima normalizar ainda há a possibilidade de os produtores fazerem o replantio.
Stefanelo não descartou a possibilidade de a iniciativa privada importar o milho para evitar a alta no mercado. Ontem no Oeste do Paraná, a saca de milho no atacado estava cotada entre R$ 9,20 e R$ 9,30, o que corresponde a uma elevação de R$ 1,00 por saca no período de 15 dias, informou Nelson Costa, da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná).
A quebra na produção atingiu as lavouras mais precoces que estavam em fase de floração. O plantio foi realizado em 90% da área prevista de 1,55 milhão de hectares. Após a chuva do último final de semana em várias regiões do Estado, o plantio foi retomado, mas paralisou novamente em função das altas temperaturas que absorveram a umidade do solo, explicou a técnica do departamento de Economia Rural, Vera Zardo. O prazo recomendado para o plantio vai até meados de dezembro e o comportamento do clima até lá vai determinar a conclusão ou não do plantio, acrescentou.
Aliás, o comportamento do clima vai determinar também o tamanho da safra de milho no Paraná, disse a técnica. Isso porque a maioria das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo e quando atingir a fase de floração vai precisar de chuvas. Se elas não ocorrerem, certamente a produtividade será afetada, justificou. Vera Zardo disse que a tendência este ano é que a produtividade fique em torno do nível histórico de 2.640 quilos por hectare. Segundo ela, dificilmente as lavouras vão atingir médias de 3.000 a 3.500 quilos por hectare, como ocorreu no ano passado.
Segundo Stefanello, a Conab tem um estoque de três milhões de toneladas de milho entre AGF (Aquisição do Governo Federal) e EGF (Empréstimo do Governo Federal). Ele acredita que pelo menos dois milhões de toneladas serão suficientes para manter o mercado abastecido até a entrada da nova safra prevista para o dia 20 de janeiro.
Apesar da quebra de produção na região Sul, Stefanello disse que está otimista em relação ao quadro nacional da produção agrícola. Segundo ele, está chovendo regularmente nas regiões Centro do país e Oeste da país, o que deverá assegurar uma safra de milho e feijão pelo menos em um milhão de toneladas superior à do ano passado.


