Seca dá prejuízo de R$ 1,27 bi a produtores de soja do PR
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terça-feira, 09 de março de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O Paraná já acumula um prejuízo de R$ 1,27 bilhão por causa da quebra na safra de soja. Levantamento divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) informa que a estiagem dos últimos dois meses provocou a perda de pelo menos 1.65 milhão de toneladas do grão. A estimativa inicial de produção foi reavaliada para 10,24 milhões de toneladas, o que indica quebra de 13.9%. A redução é de 6,5% em relação à safra anterior.
Segundo a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral, as maiores perdas ocorreram nas regiões de Toledo (quebra de 32%), Cascavel (25%), Umuarama (20,7%), Francisco Beltrão ( 20%), Campo Mourão (11,5%) e Pato Branco (10%). A Região Oeste soma uma perda de 785 mil toneladas, ou 28,4% da produção esperada. As lavouras em condições ruins ou medianas ocupam 40% da área total.
A analista lembrou que, como o levantamento do Deral não é definitivo, as perdas podem ser ainda maiores. No Paraná, a última quebra de safra decorrente de estiagem no período de frutificação e maturação da soja foi há mais de dez anos.
Na região atendida pela cooperativa Cocamar, de Maringá, os prejuízos contabilizados até agora superam a média do Estado. A quebra na produção foi estimado em 18%, o que significa que 162 mil toneladas foram perdidas. O departamento técnico da cooperativa revisou a expectativa de produtividade das lavouras de 2.821 quilos por hectare para 2.315 quilos por hectare.
Conforme informou o coordenador técnico de grãos da Cocamar, engenheiro agrônomo Antonio Sacoman, essa perda é irreversível. ''Mesmo que tenhamos chuvas em abundância nos próximos dias, de nada adiantará'', comentou. Até o momento, 25% dos 344 mil hectares cultivados com soja na região da cooperativa foram colhidos.
Na região de Londrina, as chuvas irregulares e pontuais durante os dois primeiros meses do ano amenizaram os prejuízos. O gerente da regional Londrina da Cooperativa Cocamar, Seisuke Ito, comentou que na região atendida pela cooperativa, as perdas não atingirão a média divulgada pelo Deral.
O meteorologista Marcelo Brauer, do Simepar explicou que a estiagem observada em alguns pontos do Estado decorre da entrada das frentes frias que cruzam o Paraná pelo oceano, concentrando as chuvas na região Leste. Outro fator é que essas frentes estacionaram na região Sudoeste do País, impedindo o avanço das massas de ar seco que estacionaram sobre o centro-oeste Estado. Esse cenário de pouca chuva no Oeste e maior volume de precipitações no Leste deve predominar no mês de março.
A região sudoeste do Paraná foi a mais atingida pela estiagem, com chuvas relativas a 20% da média histórica. No norte, as precipitações representam 40% da média. Em todo o Estado, choveu entre 30% e 60% do volume total esperado para a época.


