Seca dá prejuízo de quase R$ 500 mi
Agência Estado
e Redação
O Departamento de Economia Rural (Deral) divulgou ontem o relatório de janeiro sobre a safra 99/2000 em que os danos causados pela seca transparecem com mais clareza. As perdas médias de todo o Estado, embora significativas, acabam atenuando a gravidade dos prejuízos de algumas regiões como o Norte e Norte Pioneiro com quebra de 51% e 40% na safra de milho. Em termos estaduais as perdas de milho são estimadas em 14% porque a região Sul praticamente não foi afetada.
Em dinheiro, os prejuízos com a seca são estimados em R$ 484,058 milhões, de acordo com avaliação do Deral. Mas podem chegar a R$ 500 milhões com a apuração de novos dados. O cálculo do prejuízo se baseia na cotação média dos produtos agrícolas no Paraná no último dia 24. O Deral estima uma quebra de 11% na produção de grãos (amendoim, arroz, café, feijão, milho e soja) na safra 99/2000, o equivalente a 1,604 milhão de t. A produção inicial para a safra era estimada em 14,647 milhões de t de grãos, numa área de cultivo de 5,041 milhões de ha, e agora está em 13,042 milhões de t.
A engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral, destaca que a avaliação ainda é preliminar, e que os técnicos do departamento continuam acompanhando as condições das lavouras. Um quadro mais claro da safra deve estar disponível à medida em que a colheita avançar, diz ela. Segundo Vera, as regiões produtoras do Paraná continuam a registrar chuvas localizadas e ainda há bolsões de estiagem.
O relatório indica uma quebra de 14% na produção de milho do Paraná na safra 99/2000 por causa da seca. Inicialmente, a produção era estimada em 6,077 milhões de t para uma área de 1,545 milhão de hectares, e no último levantamento caiu para 5,224 milhões de t, o que significa uma quebra de 852 mil t. Os prejuízos com milho somam R$ 170,511 milhões.
As regiões produtoras de milho do Paraná mais afetadas pela estiagem foram o Norte Centro-Oeste, onde houve quebra de 33% e 32%, respectivamente. No norte, as regiões Cornélio Procópio e Jacarezinho tiveram quebra de 40% e na de Londrina, de 51%.
Na região de Campo Mourão, no centro-oeste, a quebra foi de 33%. Na região oeste do Paraná, a quebra para o milho é estimada em 25%. Na região de Toledo, a quebra foi de 51%, segundo o Deral. O sudoeste do Paraná, onde está concentrada 43% da produção de milho do Estado, a quebra foi de 8%, uma vez que a região foi menos castigada pela estiagem, de acordo com a agrônoma Vera Zardo, do Deral. A região compreende as áreas de cultivo de Curitiba, Guarapuava, Irati, Ponta Grossa e União da Vitória.
Soja A safra de soja do Paraná em 99/2000 deve ter uma
quebra de 593.966 t. A estimativa inicial era de uma produção de 7,745 milhões de t numa área de de 2,824 milhões de ha. No último levantamento, a expectativa para a produção caiu para 7,151 milhões de t. De acordo com Vera Zardo, a soja vem sofrendo com a falta de chuvas desde o início do plantio no Estado, e a região mais afetada foi o norte, com 19%, o equivalente a 410 mil t da produção na região.
No oeste, a quebra foi de 7%, um volume de 158 mil t da produção estimada para a região. No noroeste, a quebra também é de 7% e no sudoeste, de 2%. O prejuízo com a quebra da soja no Paraná está estimado em R$ 157,994 milhões.
O levantamento confirmou a estimativa de uma quebra de 24% para a safra de feijão das águas no Paraná. Agora, a previsão é de uma produção de 353.912 t ante uma estimativa inicial de 467.836 t.
De acordo com Vera, além da seca, o feijão também foi prejudicado pelas baixas temperaturas no ano passado. O prejuízo financeiro com a quebra no feijão está estimado em R$ 45,569 milhões. As maiores quebras para o feijão foram na regiões oeste (51%), noroeste (48%) e centro-oeste (40%). O sudoeste teve quebra de 38% e no sul, onde estão concentradas 52% da produção, a perda foi de 10%.
No relatório divulgado ontem, o Deral também estimou uma queda de 30% na área estimada para o plantio do feijão da seca, que deve cair para 112 mil ha. Segundo Vera, os preços baixos do produto estão desestimulando o plantio no Estado.
Café O Departamento de Economia Rural da Secretaria de
Agricultura do Paraná também confirmou a quebra estimada de 20% para a safra 99/2000 de café no Estado, o equivalente a 574 mil sacas. A estimativa inicial era de uma produção de 170.129 t de café numa área de 143.709 hectares. O último levantamento indica uma produção de 135.672 t. Os prejuízos com a quebra do café somam R$ 106,816 milhões, segundo cálculos do Deral.
O departamento também estimou uma quebra de 5% para o arroz e de 12% para o amendoim. A estimativa inicial para o arroz era de uma produção de 181.979 t e agora a previsão é de 172.600 t. Para o amendoim, a projeção inicial era produzir 5.766 t. Agora, a estimativa está em 5.070 t, segundo o relatório do Deral.





