A estiagem que atinge a maior parte do País já compromete as safras de São Paulo, Minas Gerais e principalmente o Paraná, o mais prejudicado dos Estados do Sul, já que em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a falta de chuvas não chega a comprometer as lavouras. Entre 30% e 40% da produção de milho safrinha está comprometida na região da Alta Sorocabana e as expectativas dos agricultores do Norte do Paraná começam a ser revistas. As regiões do Norte, Norte Pioneiro e Noroeste têm sido as mais prejudicadas. As próximas safras de cana-de-açúcar e tomate em Campinas, onde a falta de chuvas completou 50 dias na sexta-feira, também estão ameaçadas.
Culturas que dependem de irrigação diária, como hortaliças, podem ter sua produção reduzida nas próximas semanas na região de Campinas. A avaliação é do agrônomo Paulo Namur Claro, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), ligada à Secretaria de Estado da Agricultura.
A situação começa a ficar crítica para os produtores de hortaliças de Paulínia. ‘‘Já está faltando água para irrigação’’, conta. Segundo ele, a vazão dos riachos onde os produtores costumam captar água diminuiu muito nas últimas semanas. ‘‘Se não voltar a chover nos próximos dias, haverá perdas razoáveis.’’
A mesma dificuldade está sendo enfrentada pelos produtores de tomate de Monte-Mor. A cultura, que depende de irrigação, corre o risco de ter sua produtividade diminuída em razão da falta de água. ‘‘Ainda é cedo para falar em números, mas certamente os produtores sofrerão algum prejuízo’’, diz o agrônomo.
Em Piracicaba, a preocupação é com as plantações de cana-de-açúcar. ‘‘Essa cultura não depende de irrigação diária, mas a estiagem prolongada vai prejudicar o crescimento das plantas’’, diz Claro. Segundo ele, além de inibir o desenvolvimento, a falta de água causará queda nos níveis de sacarose. Para Claro, a estiagem deverá provocar uma queda de 20% na produtividade dos canaviais. Com isso, segundo o agrônomo, é provável que a produção de açúcar e álcool também seja afetada.
Para evitar o agravamento da situação, seria necessário chover 70 milímetros pluviométricos na região, segundo dados do Centro de Pesquisa em Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A previsão dos técnicos, porém, é de que a estiagem ainda deverá continuar por tempo indeterminado.
Café Os problemas previstos para a próxima safra da café no sul de Minas, responsável por 50% da produção estadual, já vêm da falta de chuvas nos primeiros meses do ano passado. Dos 14 milhões de sacas previstas, serão obtidos apenas 8,3 milhões, segundo o presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), José Geraldo Rodrigues de Oliveira.
Também os produtores rurais do Triângulo Mineiro correm sério risco de prejuízos, caso não chova até o fim de maio. Segundo o coordenador técnico regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), José Rodrigues Vieira, cerca de 140 produtores do Triângulo colheram normalmente a safra, no verão, e, desde fevereiro, destinaram sete mil hectares à chamada safrinha, plantando, principalmente, milho e sorgo. Em abril, porém, as chuvas atingiram apenas 12 milímetros, contra 56 milímetros no mesmo mês de 1999 e, agora em maio, não houve precipitação. ‘‘Se até o fim do mês não chover, eles vão perder tudo’’, disse Vieira.

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