A falta de água na região metropolitana de Curitiba já dura 90 dias para o desespero dos produtores de hortaliças. A escassez de chuvas compromete a captação de água para irrigação, responsável por 50% da produção de olerícolas na região metropolitana de Curitiba, responsável por 70% das verduras e legumes produzidos no Paraná (1,4 milhão de t ano passado).
A Central Atacadista de Curitiba (Ceasa), no entanto, informou que a seca ainda não refletiu no mercado. O preço da alface, um dos produtos mais prejudicados pela seca até caiu. Ontem, a caixa com 18 unidades estava sendo ofertada por R$ 6,00, inferior ao que vigorou na semana que registrou a última geada, fator que elevou o preço do alface para R$ 12,00 a caixa.
O município de Colombo, que produz 95.000 t de legumes/ano já está com 30% de sua produção comprometida. Em São José dos Pinhais, que produz 100.000 t/ano, com irrigação não estão obtendo água dos rios e lagos, em função da redução do volume de água. Os produtores afirmam que é a pior seca dos últimos 17 anos.
Em Colombo, a produção de alface, escarola, couve-flor, repolho, cenoura, beterraba e brócolis, é a mais prejudicada. O produtor Vandir Cordeiro de Lima, 43, avisa que os reflexos da estiagem no abastecimento serão sentidos daqui 30 ou 40 dias, quando faltar a produção que deveria estar sendo plantada agora. A produção de alface de Lima já caiu em 30%. Ele entregava cerca de 500 caixas de alface por semana na Ceasa e agora só está entregando 300 caixas.
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Ricardo Milgioransa afirma que não chove com regularidade na região desde o ano passado, prejudicando a atividade dos 900 produtores do município. Segundo o secretário, os produtores que não estão tendo acesso a água suspenderam o plantio, aguardando as chuvas para fazer a transferência das mudas. Ele calcula que 30% da produção de verduras e legumes de Colombo já está comprometido e os resultados vão se refletir mais adiante.
Em São José dos Pinhais, cresceu o número de pedidos junto à prefeitura na concessão de horas-máquinas. Os produtores estão ampliando a capacidade de açúdes nas propriedades, com o objetivo de reter mais água na propriedade.

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