Passados os dez primeiros meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parece estar ainda distante o tempo do prometido ''espetáculo de crescimento'' e dos dez milhões de empregos necessários para que o País saia da recessão econômica em que se meteu nos últimos anos. Um dos caminhos mais indicados por especialistas para que estes objetivos sejam alcançados, pelo menos a médio prazo, é o investimento maciço na criação e apoio às micros e pequenas empresas.
Afinal, elas representam hoje 98% do universo de empresas brasileiras e são responsáveis diretas por aproximadamente 60% de todos os empregos formais do País. O setor, no entanto, encontra uma série de obstáculos ao seu fortalecimento e desenvolvimento. Entre eles, destacam-se a falta de linhas de créditos, os altos juros sobre os financiamentos, a pesada carga tributária, a complicada legislação trabalhista, e a incipiente capacitação dos novos empreendedores para a gestão de seus negócios.
Esta é a opinião do gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresas (Sebrae) do Paraná em Londrina, Sergio Garcia Ozorio. Segundo ele, os setores que mais se destacam em Londrina entre as micros e pequenas empresas na geração de empregos são o comércio varejista, a indústria do vestuário, a indústria de alimentos, a construção civil, as transportadoras, as clínicas médico-odontológicas e veterinárias, o ensino e a agricultura.
De acordo com Ozorio, o Sebrae tem feito em âmbito nacional algumas reivindicações ao Congresso e ao governo no intuito de melhor estruturar, fortalecer e aprofundar a capacidade produtiva e geradora de empregos e de riquezas das micro e pequenas empresas. ''Há que se aprofundar a reforma tributária, extremamente necessária. A carga tributária ainda é muito alta sobre as empresas, apesar do Simples. É preciso ampliá-lo, para isentar um maior número de atividades e empresas, com a implantação do chamado super Simples que está em discussão no Congresso.''
Na opinião do gerente do Sebrae que atende em média 800 pessoas e empresas por mês em Londrina , as recentes baixas nas taxas de juros (Selic) nos últimos meses foram apenas tímidas. ''Para que o setor produtivo saia da recessão os juros têm que cair bem mais, lógico que mantendo a inflação sob controle. Hoje, não há uma linha de crédito diferenciada que beneficie os micros e pequenos empresários. Isto é um dificultador, um fator negativo que impede novos investimentos'', comenta Ozorio.
Ele afirma que outra reforma urgente é a da legislação trabalhista, que ''permanece complicada e inibidora'' da criação de novas ocupações nas pequenas e micros empresas. ''É preciso também diminuir a burocracia na abertura de empresas. Tudo isto somado, atrapalha muito os empresários e acelera o aumento da informalidade no País.''
Ozorio diz que infelizmente a prática da exportação de produtos entre as micros e pequenas empresas ainda é muito pequena, algo em torno de 2% das vendas internacionais brasileiras. ''O trabalho que temos feito neste setor é o de desmistificar aquela velha idéia de que só os grandes podem exportar. Temos por meio de encontros, reuniões, palestras, excursões a outros países mostrado aos micros e pequenos empresários que exportar é viável, é possível e rentável. Não é aquele bicho de sete cabeças que muito imaginam'', garante.
O gerente do Sebrae que atende 96 municípios na região e conta com escritórios de apoio em Apucarana, Ivaiporã e Jacarezinho explica que outro complicador para o sucesso de novos micros e pequenos empreeendedores é a falta de qualificação das pessoas para a administração empresarial. ''Falta maior conhecimento de gestão; falta preparo para lidar com o mercado e conduzir melhor a empresa em todos os setores da produção. Falta uma visão mais apurada para avaliar a viabilidade econômico-financeira do empreendimento, para conseguir detectar se o negócio vai ou não dar certo'', afirma.

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