Sebrae promove rodadas entre Brasil e Argentina
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Carmem Murara de Buenos Aires 
As pequenas e médias empresas do Paraná, que tenham intenção de exportar para a Argentina, vão poder participar de rodadas de negociação específicas a partir do próximo ano. O Sebrae (Serviço de Apoio a Pequena e Média Empresa) anunciou ontem que vai formar grupos específicos de negociação dos vários setores da economia. O calendário das missões empresariais começa a ser definido a partir do dia 12 deste mês.
As rodadas de negociação fazem parte da segunda etapa das atividades do Centro Empresarial do Mercosul, espaço organizado pelo Sebrae em Buenos Aires que foi inaugurado oficialmente ontem por conselheiros paranaenses do Sebrae e pelo presidente da Federação das Indústrias do Paraná, José Carlos Gomes Carvalho.
Em uma palestra a empresários e executivos argentinos, o presidente do Sebrae do Paraná, Hélio Cadore, enfatizou a necessidade de estimular as pequenas empresas a exportar para o Mercosul. As empresas pequenas ainda não têm a cultura de exportação e cabe a entidades como o Sebrae estimular as vendas com os países que formam o Mercosul, afirmou.
A necessidade de aprofundar as relações entre as pequenas empresas do Mercosul foi destacada também pelo diretor de relações comerciais da União Industrial Argentina, Guilhermo Feldmann. Ele apresentou aos empresários brasileiros a necessidade de fazer a internacionalização das empresas. O ponto central é fazer com que as empresas se abram para o comércio externo, isso se dá com o aprofundamento do Mercosul, afirmou.
Feldmann lembrou ainda que o Mercosul já está dando mostras de seu crescimento. Em 1988, a relação comercial entre Brasil e Argentina movimentava US$ 2 bilhões anuais e hoje chega a US$ 12 bilhões. Segundo o professor de economia da Universidade de Buenos Aires, Jorge Marchini, 30% da produção argentina é exportada para o Brasil.
O presidente da Fiep também ressaltou o crescimento das relações comerciais entre os países do Mercosul, mas ele lembrou que a maioria dos negócios tem sido feita apenas entre as grandes empresas. A pequena empresa ainda está muito tímida e precisa crescer e se abrir para o mercado externo, destacou. No Brasil, 4% das exportações são feitas pelas pequenas empresas. Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, o índice chega a 40%.
Com a entrada do Sebrae paranaense no Centro de Negócios do Mercosul, as empresas terão um referencial para negociar com a Argentina. As empresas expõem seus produtos por três meses pagando uma taxa de US$ 500,00. Uma das empresas que desde ontem está expondo no Centro de Negócios é a Michelângelo, fabricante de mármores e granitos. A empresa exporta metade da produção para Estados Unidos, Europa e até Ásia, mas ainda não comercializa com o Mercosul. As facilidades tarifárias e a oportunidade de vir a Buenos Aires poderá contribuir para que comecemos a vender para a Argentina, afirmou o gerente de vendas da Michelângelo, Chiaki Tokumi.
As rodadas de negociação também são oportunidades para viabilizar o comércio. O coordenador de Relações e Comércio Exterior do Sebrae/Paraná, Ricardo Delamer, acredita que a negociação segmentada será uma das melhores oportunidades para os empresários dos dois países. Ele afirmou ainda que o Sebrae tem intenção de abrir Centros de Negócios no Uruguai e Paraguai. Em Montevideo já há um escritório que começa a agilizar as negociações com os pequenos empresários.


